Anitta tomou uma decisão que surpreendeu muita gente na indústria: desacelerar a carreira internacional. Mas para quem segue a trajetória da cantora, a escolha faz sentido quando ela explica os motivos por trás dessa mudança de rumo.
Em entrevista à Folha de São Paulo divulgada nesta sexta-feira (24), Anitta contou que reduziu o ritmo fora do país para priorizar sua saúde mental e qualidade de vida. Depois de anos dividindo a agenda entre o Brasil e compromissos internacionais, a artista percebeu que o preço dessa dupla jornada era muito alto.
O preço de duas carreiras simultaneamente
Segundo Anitta, o problema nunca foi a carreira internacional em si, mas o sacrifício pessoal necessário para manter ambas. “Feliz mesmo eu sou no Brasil. Eu posso ter desejos profissionais internacionalmente, mas felicidade mesmo me traz morar no meu país. Para manter as duas carreiras eu abdicava muito do meu tempo de vida, do meu tempo para mim. Isso me tornava uma pessoa muito estressada, cheia de gatilhos e sem espaço para crescer internamente”, afirmou.
A percepção ficou ainda mais clara quando a cantora retomou uma rotina de trabalho intenso durante as gravações de um filme. “Quando voltei a gravar todos os dias, de segunda a sábado, percebi que andei para trás em toda a evolução interna que tinha conquistado. Entendi que autoconhecimento é como musculação: você precisa praticar constantemente. Se volta para a rotina antiga, volta também para os antigos comportamentos”, revelou.
Equilibrium II como reflexo dessa transformação
Essa decisão impactou diretamente o novo álbum, Equilibrium II. Ao contrário do primeiro projeto, que retratava sua busca espiritual, o novo trabalho aborda as consequências desse processo e mergulha em conflitos mais íntimos. A releitura de “Você Gostar de Mim”, música eternizada por Carmen Miranda, ganhou especial importância nesse contexto.
“Essa música traz o conflito interno que gerou a necessidade de eu buscar autoconhecimento. Foi desse vazio, dessas tristezas e desses questionamentos que surgiu toda essa transformação que vivi e que aparece nos visuais do projeto”, explicou Anitta.
Raízes e referências no novo trabalho
A cantora também fez questão de incluir um forró no álbum como forma de homenagear suas origens familiares. “Precisávamos muito ter um forró para honrar esse lado da minha família. A gente quis mergulhar ainda mais nas músicas que já escutava e das quais já gostava”, pontuou.
As participações especiais que integram o disco surgiram de forma espontânea durante o processo de criação, com nomes como Letícia Fialho, Cabruêra, MC Tati, Grupo Ofá e Alceu Valença. Mas foi a colaboração com Maria Bethânia que mais impactou Anitta. “Quando ela aceitou, eu demorei até para acreditar. Ela sempre foi uma referência enorme na minha vida, não necessariamente no meu trabalho, mas como artista e como pessoa. Ela representa tudo o que eu acho belo e criativo”, desabafou.
Futuro internacional em perspectiva
Anitta não descarta voltar a uma carreira internacional em grande escala, mas deixa claro que qualquer retomada nessa direção precisará ser cuidadosamente planejada. “Voltei com ele para o Brasil porque aqui consigo ter mais tempo para mim. Talvez, para voltar a uma carreira internacional desse tamanho, eu precise planejar muito bem como fazer isso sem abrir mão da minha qualidade de vida”, disse.
Um novo lado de Anitta
Para a cantora, Equilibrium II é o trabalho que melhor traduz sua identidade atual. “O Funk Generation mostrava uma parte de mim. Agora eu sinto que as pessoas conseguem ver todas as minhas versões: a brincalhona, a sensual, a debochada, mas também a profunda. Pela primeira vez, me sinto realmente vista por dentro”, refletiu.
O álbum ganhou também um projeto audiovisual que servirá como base para a próxima turnê. “O show vai ser uma experiência bem imersiva. Claro que não dá para reproduzir toda a riqueza dos vídeos no palco, mas vamos trazer a essência do projeto, tanto visualmente quanto na parte sonora”, adiantou Anitta.
Fonte: Hugo Gloss