O mercado de streaming musical bateu novo recorde em 2025. Segundo dados da Midia Research, o número global de assinantes chegou a 921,6 milhões ao final do ano, crescimento de 10,1% em relação a 2024. A indústria agora está de portas abertas para alcançar a marca de um bilhão de usuários pagos.
Spotify segue na liderança com 290 milhões de assinantes
A plataforma sueca mantém sua hegemonia no mercado global, com 31,4% de participação, segundo a Midia Research. O Spotify fechou 2025 com 290 milhões de assinantes Premium pagos, crescimento de 10% ano a ano. A empresa adicionou 27 milhões de novos usuários durante o ano, considerando que começou 2025 com 263 milhões. Já no primeiro trimestre de 2026, a base subiu para 293 milhões de assinantes.
A força do Spotify permanece particularmente robusta na América Latina e Europa. A plataforma foi responsável por 85% das novas assinaturas europeias em 2025, consolidando sua posição nas regiões tradicionais enquanto mantém expansão constante nos mercados emergentes.
YouTube Music é o destaque inesperado de 2025
O grande espanto do ano veio de um lugar inesperado. YouTube Music cresceu mais rápido que Spotify em termos percentuais pelo segundo ano consecutivo, fechando 2025 com 12,4% da fatia global de assinantes — um salto considerável comparado aos 7,9% em 2020. De acordo com Perry Gresham, chefe de dados da Midia Research, o crescimento é particularmente notável na Ásia-Pacífico e América Latina.
A projeção para 2026 é ainda mais impressionante. Tendências atuais indicam que o YouTube Music pode ultrapassar Apple Music e Tencent em número de assinantes globais neste ano. A plataforma já conquistou o primeiro lugar no Oriente Médio e Norte da África, desbancando até mesmo o Spotify nessa região.
Apple perde espaço; Tencent mantém segundo lugar
Enquanto YouTube Music coleciona vitórias, Apple Music vive momento inverso. A plataforma da Apple, que ocupava a segunda colocação em 2020 com 18,4% de participação, caiu para 12,6% em 2025 — uma queda significativa. Apple Music, Amazon Music e Tencent Music Entertainment perderam espaço global durante o ano.
A Tencent Music Entertainment, porém, segue como segunda maior empresa fonográfica em streaming, com 13,8% de participação. A plataforma chinesa reportou crescimento de receita anual de 15,8% apesar da queda no número de novas assinaturas. Um diferencial importante: seu programa Super VIP ultrapassou 20 milhões de assinantes, indicando movimento da indústria em direção a modelos com maior diferenciação de preços.
Amazon Music aparece em quinto lugar com 8,5% de participação global.
Crescimento continua desigual geograficamente
Um padrão bem definido emerge dos números de 2025: regiões emergentes continuam puxando o crescimento global. América Latina, Ásia-Pacífico e Rest of World juntas responderam por mais de 70% do crescimento de assinantes pela quinta vez consecutiva. A América Latina atingiu um pico recorde em novas assinaturas, enquanto a Ásia-Pacífico, embora ainda importante, desacelera o ritmo de expansão.
Receita segue defasada em relação ao crescimento de usuários
Um alerta importante para a indústria: enquanto o número de assinantes cresceu 10,1%, a receita de streaming das majors aumentou apenas 8,3%. Embora o gap tenha se estreitado em comparação com anos anteriores, a disparidade mantém discussões aquecidas sobre modelos de remuneração de artistas.
O ano de 2025 marca um ponto de inflexão para o streaming. Com a indústria praticamente na porta do bilhão de assinantes, o foco agora muda: menos sobre crescimento absoluto de usuários e mais sobre otimização de receita por assinante e retenção em mercados maduros. YouTube Music provou que ainda há espaço para disrupção, enquanto Spotify reforça que liderança de mercado não é sinônimo de crescimento acelerado.
A próxima fronteira? A metade do planeta que ainda não assina nenhum serviço de streaming. Mas para alcançá-la, plataformas enfrentarão desafios imensos de preço, conectividade e educação de consumidores.
Fonte: Music Business Worldwide