A reviravolta que parecia ficção
Clément Vandenkerckhove viveu aquela história que parece saída de um roteiro de Hollywood. Aos 26 anos, o ex-vendedor de carros belga foi reconhecido legalmente como filho do príncipe Laurent, irmão mais novo do rei Philippe, transformando sua vida de forma radical. A cerimônia aconteceu em uma prefeitura há cerca de seis meses, embora a informação tenha vindo a público apenas agora.
O jovem é fruto de um relacionamento entre o príncipe Laurent e a cantora belga Wendy Van Wanten (nome artístico de Iris Vandenkerckhove), romance que ocorreu antes de Laurent se casar com a princesa Claire, em 2003. Apesar do reconhecimento formal, Clément não receberá dotação da Casa Real, não entrará na linha de sucessão ao trono e também não terá funções públicas na monarquia belga.
Uma descoberta que não foi tão recente assim
Para Clément, a identidade do pai não era exatamente uma surpresa quando o reconhecimento oficial aconteceu. Em um documentário exibido pela emissora flamenga VTM em setembro de 2025, ele revelou um encontro casual e peculiar: em 2013, aos 13 anos, cruzou com Laurent em um shopping sem saber que estava diante do próprio pai. A verdade foi revelada pela mãe quando ele tinha 16 anos.
Quatro anos depois, já aos 20, Clément resolveu telefonar para Laurent. Os dois mantiveram contato e eventualmente se encontraram pessoalmente. Foi o próprio príncipe quem sugeriu fazer um teste de DNA. “Fomos juntos ao hospital e me lembro de que ele disse: ‘Eu vou primeiro para que você fique tranquilo’”, recordou Clément. O exame apontou 99,5% de compatibilidade genética, confirmando o que ambos já suspeitavam.
Príncipe, mas sem privilégios reais
Embora agora seja oficialmente membro da família real belga com o título de príncipe, Clément não desfruta dos mesmos direitos dinásticos dos três filhos do casamento de Laurent com Claire: a princesa Louise e os príncipes Nicolas e Aymeric, que fazem parte da linha de sucessão. Mudanças na legislação belga em 2013 restringiram as dotações reais a determinados integrantes da família, deixando de fora o novo príncipe reconhecido.
A questão do sobrenome ainda permanece em aberto. Em entrevista ao jornal Het Nieuwsblad, Clément explicou que não decidiu se adotará formalmente Saxe-Coburgo, o sobrenome paterno. “Talvez eu queira fazer isso, mas tenho orgulho do sobrenome Vandenkerckhove”, afirmou. “Se eu abrisse mão desse sobrenome, seria uma traição a tudo o que minha mãe fez por mim”, completou.
Precedentes na família real belga
Curiosamente, este não foi o primeiro caso envolvendo testes de DNA na família real belga. O próprio pai de Laurent, o ex-rei Alberto II, enfrentou uma longa batalha judicial com a artista Delphine Boël. Após realizar um teste genético, Alberto reconheceu em 2020 que ela era sua filha, fruto de um relacionamento extraconjugal com a baronesa Sybille. Delphine posteriormente conquistou na Justiça o direito de usar o título de princesa e passou a se chamar Delphine de Saxe-Coburgo.
No caso de Clément, porém, o reconhecimento garante formalmente o título de príncipe, mas sem os benefícios financeiros ou as posições públicas que acompanham outros membros da monarquia belga. A história do jovem permanece como uma das mais inusitadas dos últimos anos nas casas reais europeias.