Quando se pensa em Brandon Flowers e The Killers, a primeira coisa que vem à mente é rock antitético, sintetizadores e aquele vocal dramático que marcou gerações. Mas quem cresceu acompanhando a carreira do vocalista sabe que country sempre esteve lá, escondido nas entrelinhas de álbuns como Sam’s Town (2006) e Pressure Machine (2021). Agora, Flowers decide parar de esconder e coloca essas raízes em primeiro plano.
A volta às origens de Utah
Criado em Utah, Flowers não cresceu ouvindo apenas rock and roll. Seu pai tinha paixão por country — aquele country de verdade, de Johnny Cash e Waylon Jennings. Essas influências nunca saíram completamente da música que Flowers fez, mas permaneciam um tempero, um toque aqui e ali. Agora vira o prato principal.
Em agosto próximo, Flowers lançará Thrasher, seu primeiro álbum solo em mais de uma década. Gravado em julho em Nashville, especificamente no histórico RCA Studio A, o projeto reúne uma linha de nomes respeitáveis do universo country e afins: David Rawlings, o harmonicista Charlie McCoy (aquele mesmo que tocou com Bob Dylan) e outros colaboradores ainda não revelados.
A declaração do artista
“Eu destranquei um cômodo que sinto que estava esperando por mim o tempo todo: a música country faroeste”, disse Flowers em um trailer do álbum. A frase é reveladora porque mostra que não se trata de um experimento ocasional, mas de algo que o artista sentia como uma necessidade genuína.
No vídeo promocional, ele aparece viajando pelo deserto que tão bem conhecemos associado aos Killers, mas dessa vez vestido em estilo faroeste. Há uma coesão visual e conceitual aqui que sugere pensamento genuíno, não apenas um desvio mercadológico.
Histórias pessoais em forma de música
O grande diferencial de Thrasher é que Flowers usa o country como veículo para contar histórias enraizadas em sua própria vida. O álbum explora narrativas sobre sua família, amigos de infância e os altos e baixos da vida suburbana americana. É autobiografia disfarçada de twang e harmônicas.
Produzido por Shawn Everett e Jonathan Rado, o disco é pensado para coexistir com o catálogo dos Killers, não para substituir nada. “Isso não sou eu fugindo do rock and roll”, deixa claro o próprio Flowers. “Eu não quero substituir minhas músicas antigas. Eu simplesmente encontrei espaço para mais.”
O primeiro single e a tracklist
“Plans” é o primeiro single, lançado em 26 de junho. A tracklist completa de Thrasher revela títulos intrigantes: “Does It Ever Cross Your Mind?”, “Tiger’s Blood”, “Paradise”, “Miss America”, “An American Dream” e outras faixas que sugerem narrativas pessoais e reflexivas.
O álbum chega em 21 de agosto.
Um movimento corajoso, mas calculado
Não é exagero chamar isso de movimento corajoso. Estamos falando de um dos últimos grandes fronteiras do rock dos anos 2000 investindo seriamente em country quando sua base de fãs espera, pelo menos, a continuidade dos Killers. Mas há lógica aqui. Flowers não está negando suas raízes ou sua carreira — está completando-a.
A escolha de gravar em Nashville, de trabalhar com David Rawlings e Charlie McCoy, de produzir com Shawn Everett (que tem experiência tanto em rock quanto em Americana) mostra que esse não é um projeto feito nas costas, mas sim com pesquisa, respeito pelo gênero e intenção artística real.
Fonte: Rolling Stone Brasil