Charli XCX está cansada de correr atrás da mesma história. Em conversa com a Rolling Stone EUA, a artista britânica foi direto ao ponto: não, o novo álbum Music, Fashion, Film não é rock. Ponto final.
O boato que não morre
A confusão começou quando Charli compartilhou trechos da letra de “Rock Music”, single do projeto lançado antes do álbum chegar às plataformas em 24 de julho. Bastou isso para a internet explodir em especulações sobre uma virada sonora pesada. “Obviamente sei que houve muita conversa sobre eu estar fazendo um álbum de rock, o que é algo que nunca disse. Nunca pensei em gênero de forma binária. Acho isso uma noção muito antiquada”, disparou.
Ela seguiu afirmando que nem sabe qual é o gênero do disco. “Somos só eu, A.G. Cook e Finn Keane fazendo a nossa coisa”, completou, apontando seus parceiros criativos no projeto.
Madonna entra na treta
A coisa esquentou quando Madonna viu o verso de “Rock Music”: “Acho que a pista de dança está morta, então agora estamos fazendo rock music”. A rainha do pop, que se prepara para lançar Confessions II (sequência de Confessions on a Dance Floor de 2005), não deixou barato e respondeu: “Se a sua pista de dança parece morta, talvez você esteja tocando a música errada”.
Charli não se esquivou. Explicou que a letra fala muito sobre sua relação com Brat e sua experiência pessoal com aquele álbum. “Meu marido (George Daniel, do The 1975) comanda um selo de música dance. Tem havido uma riqueza incrível de discos eletrônicos saindo recentemente, seja de Slayyyter, Underscores ou PinkPantheress. A música dance está em um momento incrível”, rebateu, deixando claro que não estava matando ninguém por aqui.
A capa e suas conexões pessoais
A capa de Music, Fashion, Film também virou motivo de debate na internet. A imagem reúne três figuras: o músico e compositor John Cale — cofundador do Velvet Underground, com quem ela colaborou na trilha de Wuthering Heights —, o estilista Marc Jacobs e o diretor Martin Scorsese.
“Houve muita discussão sobre quem deveria estar na capa final, mas acabei escolhendo pessoas com as quais tenho conexões pessoais”, explicou Charli. E antes que alguém achasse que ela estava virando Velvet Underground, foi clara: “Falei muito sobre amar Lou Reed e John Cale e o Velvet Underground. Mas diria que o disco soa como qualquer um deles? Não”.
Dois singles e um novo caminho
Dois singles já foram lançados: “Rock Music”, com guitarras cruas e diretas, e “SS26”, de pegada mais agressiva. O conjunto indica que Charli está deliberadamente se afastando da sonoridade de Brat — algo que ela já havia sinalizado publicamente — sem, no entanto, se prender a um gênero específico.
Sobre o processo criativo com Cook e Keane, ela foi clara: “Quando faço música, penso menos em outras músicas como referência. Eu me fecho, e a gente escapa para o nosso próprio mundo”.
O verão da Charli
Além do lançamento do álbum, Charli XCX tem uma agenda pesada nos próximos meses. Em agosto, ela estreia como headliner no Reading Leeds Festival, dividindo o topo do cartaz com Fontaines D.C., Raye, Florence + The Machine, Dave e Chase Status.