Mick Jagger não está nada entusiasmado com a chegada dos 82 anos. Em conversa recente com The Interview, coluna do New York Times, realizada em 11 de julho, o lendário vocalista dos Rolling Stones foi direto ao ponto: envelhecer é uma barra.
A Falta de Sabedoria
“Não há nada de bom nisso. Nada”, disparou Jagger quando questionado sobre a passagem do tempo. “Você não adquire sabedoria. Você esquece tudo. Esqueci toda a minha sabedoria.” O britânico foi ainda mais cáustico ao reconhecer que talvez tenha tido “algumas pérolas” de conhecimento ao longo da vida, mas simplesmente as perdeu no caminho.
Além das questões cognitivas, Jagger apontou as limitações físicas como um dos principais incômodos. “Não é particularmente agradável e, claro, você não consegue fazer as coisas tão rápido quanto gostaria, e fisicamente não consegue fazer coisas que gostaria de fazer”, explicou. Ele ressalvou que ainda é possível realizar essas atividades, mas exige muito mais cuidado do que havia alguns anos atrás.
O Isolamento da Fama
O problema se agrava quando se leva em conta a condição especial de Jagger: uma fama de quase sete décadas que o afasta da realidade comum. “Obviamente, não é normal”, admitiu. “Não é como a vida da maioria das pessoas. Isso te afeta. Você pode se distanciar das outras pessoas.”
Para manter algum contato com a normalidade apesar do status de ícone do rock, Jagger revelou seu estratagema: sair sozinho pela rua e fazer atividades corriqueiras como qualquer outra pessoa. É uma forma de ancoragem que, por mais precária, tenta preservar um vínculo com a vida comum.
Deepfake e Versões Jovens
Não é coincidência que Jagger e seu parceiro de palco Keith Richards tenham flertado recentemente com tecnologia de inteligência artificial. Em uma entrevista à Billboard, ambos discutiram o uso de deepfake no videoclipe de “In the Stars”, onde versões mais jovens deles foram criadas digitalmente.
“Nos divertimos muito com isso”, brincou Jagger. “Só os rostos dos músicos são diferentes. Eles não são pessoas falsas em uma sala falsa; eles estão todos em uma sala, tocando juntos de verdade.” O vocalista frisou que os músicos que aparecem no clipe “se parecem um pouco com os Rolling Stones de 1968”, com a única diferença sendo os rostos rejuvenescidos.
Richards completou com humor: “Eu disse: Muito bom. Gostaria de ter essa aparência agora. Mas talvez seja para isso que eles servem — videoclipes. Coloque-os em seu devido lugar.” O guitarrista viu o experimento como uma brincadeira criativa com a tecnologia, sem pretensões de substituir o envelhecimento real.
O Dilema do Tempo
As confissões de Jagger refletem uma tensão genuína: o homem que revolucionou o rock and roll aos 18 anos agora enfrenta as realidades inescapáveis da idade avançada. Suas observações, ainda que desabonadas e até pessimistas, tocam em questões universais sobre mortality, perda de memória e a impossibilidade de congelar o tempo — mesmo para quem tentou viver fora das regras por tanto tempo.
O fato de que Jagger continua em turnê e criando música sugere uma contradição interessante: apesar de reclamar da falta de energia e das limitações físicas, ele segue fazendo o que ama. Talvez não haja nada de bom em envelhecer, como ele afirma, mas há algo de inegável em persistir.