A treta que racharia a franquia
Bam Margera não deixou dúvidas: a reunião de Jackass não vai acontecer. Em entrevista à Rolling Stone, o dublê aclamado descartou completamente a possibilidade de se reencontrar com os membros da franquia que o tornou famoso. “Com certeza vou assistir ao filme, e espero que seja bom, mas quanto a uma reunião, isso não vai acontecer, nem em 10 milhões de anos”, afirmou o ator.
A frase que resume seu estado emocional é ainda mais contundente: “Nunca mais quero vê-los na minha vida. Chega.” Margera deixa claro que sua mágoa não é dirigida ao elenco inteiro, mas específica a Johnny Knoxville, co-criador da franquia, e Jeff Tremaine, diretor dos filmes.
O que levou ao rompimento
Tudo começou quando Bam Margera foi demitido de Jackass Para Sempre (2022) após descumprir um acordo de sobriedade e entrar em conflito com a produção. A decisão ressoou como um terremoto na franquia que havia girado em torno dele por anos.
O impacto financeiro também não foi pequeno. Margera afirmou que esperava receber US$ 5 milhões pelo trabalho e ficou furioso ao receber a notícia da exclusão. “Ficou muito puto”, nas palavras do próprio texto que documenta o episódio.
Insatisfeito com a decisão, o ator processou a Paramount, Knoxville e Tremaine, alegando ter recebido tratamento desumano e discriminatório. Segundo sua denúncia, os produtores estavam armando para que ele fracassasse. O processo foi resolvido fora dos tribunais, suavizando publicamente o conflito, mas não cicatrizando as feridas.
A presença fantasmagórica no novo filme
Existe uma ironia amarga na situação: Margera aparece no novo e último filme da franquia, “Jackass: Último Shot de Loucura”, mas apenas através de imagens de arquivo. A crítica da Rolling Stone nota que “a presença recorrente de Bam Margera em grande parte das imagens de arquivo só reforça o fato de que ele está ausente nos vídeos novos”.
É uma presença que assombra o filme, lembrando constantemente o que (ou quem) está faltando. Uma forma de reconhecer sua importância histórica enquanto reafirma sua exclusão atual.
A perspectiva de Knoxville
Do outro lado, Johnny Knoxville oferece uma narrativa diferente. Em entrevista recente à GQ, o co-criador afirmou que a decisão de demitir Margera foi pensada como uma oportunidade de ajudá-lo. “Contanto que ele esteja bem e saudável, é tudo o que me importa. Egoisticamente, eu adoraria tê-lo de volta na minha vida. Mas isso acontecerá no tempo dele”, disse Knoxville.
Essa declaração revela a complexidade do conflito: enquanto Knoxville pinta a demissão como um gesto de cuidado, Margera a interpreta como uma traição orquestrada. Os dois não estão vivendo no mesmo episódio dessa história.
O legado de quase 30 anos
O novo longa é descrito como “uma volta triunfal por quase 30 anos de acrobacias ridículas, estúpidas e arriscadas em nome do entretenimento”. É um reconhecimento dos críticos de que, apesar de tudo, Jackass deixou sua marca.
Mas o filme também marca o fim de uma era. Não apenas para a franquia em si, mas para o capítulo de Bam Margera como parte central do universo Jackass. Sua ausência, apesar da presença em imagens antigas, é um lembrete constante de que algumas amizades e parcerias criativas não conseguem sobreviver às pressões do business, dos problemas pessoais e do ego.
O que antes era uma das maiores criatividades que sustentava a franquia agora é um vazio que nem 10 milhões de anos conseguem preencher—pelo menos é o que Bam Margera deixa claro.
Fonte: Rolling Stone Brasil