Paris Hilton finalmente conseguiu o que lutou durante anos para conquistar: a Provo Canyon School, internato em Utah onde afirma ter sofrido abusos na adolescência, foi oficialmente fechada em 17 de julho. A notícia trouxe alívio à celebridade, que expressou em comunicado: “Hoje, finalmente posso dizer as palavras que lutei por anos para pronunciar: a Provo Canyon School foi oficialmente fechada”.
O fechamento e suas causas
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Utah (DHHS) revogou as licenças da instituição quase duas semanas antes da data do fechamento oficial. Segundo a Rolling Stone Brasil, o departamento determinou que tanto o campus masculino quanto o feminino da escola não eram seguros para as crianças sob seus cuidados.
“Nas últimas duas semanas, o Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Utah determinou que tanto o campus masculino quanto o feminino não eram seguros para as crianças sob seus cuidados. O dia de hoje significa que nenhuma criança terá de passar novamente pelo que nós passamos na Provo Canyon School”, declarou Hilton em comunicado na sexta-feira.
As denúncias de Hilton contra a escola
A trajetória de Paris Hilton como ativista contra a instituição começou em 2020, com o lançamento do documentário This Is Paris. Na produção, ela relata que seus pais a enviaram para o internato em meados da década de 1990, quando era adolescente, por considerarem que sua vida de festas havia saído do controle.
Hilton alegou ter sido agredida durante sua permanência no local, mantida em confinamento solitário por até 20 horas e forçada a tomar comprimidos desconhecidos. Segundo ela, seus pais desconheciam o que enfrentava lá.
Em 2022, a celebridade ampliou suas acusações em um vídeo de opinião publicado pelo New York Times, denunciando abuso sexual. “Muito tarde da noite — por volta das três ou quatro da manhã — eles levavam a mim e a outras meninas para uma sala e realizavam exames médicos. Isso nem sequer era feito por um médico. Eram alguns funcionários diferentes; eles nos faziam deitar na maca e introduziam os dedos em nós. Eu não sei o que eles estavam fazendo, mas definitivamente não eram médicos”, afirmou na época.
O New York Times também noticiou que a escola enfrentava um processo judicial no qual 49 autores da ação alegavam ter sofrido abuso sexual por parte de um ex-diretor médico.
A campanha por responsabilização
Após o lançamento do documentário, Hilton iniciou sua campanha pública contra a Provo Canyon School. Em 2021, ela discursou no Capitólio em defesa de uma carta de direitos para adolescentes em instituições desse tipo, demonstrando seu compromisso com a causa que transcendia sua experiência pessoal.
Em seu comunicado desta sexta-feira, Hilton relembrou o momento em que estava do lado de fora da escola em 2020: “Quando estive do lado de fora da Provo Canyon School em 2020, eles cobriram as janelas para que as crianças lá dentro não pudessem ver que sobreviventes estavam do lado de fora lutando por elas. Eles podiam bloquear a visão que as crianças tinham de nós, mas não podiam impedir o que estava por vir”.
De volta para o futuro
Hilton finalizou seu comunicado com uma mensagem dirigida à instituição e aos demais sobreviventes. “A Provo Canyon School me subestimou. Eles mexeram com a garota errada — e com milhares de sobreviventes que se recusaram a ficar em silêncio. Hoje, pela primeira vez em muito tempo, sinto algo que jamais imaginei sentir: paz”, disse.
A celebridade também reafirmou seu compromisso futuro: “Nunca deixarei de lutar até que todas as crianças estejam seguras e todas as instituições abusivas sejam responsabilizadas. Se você está ferindo crianças, saiba disto: os sobreviventes estão chegando, não vamos recuar e não pararemos até que todos os jovens estejam seguros”.
O fechamento da Provo Canyon School marca o fim de um capítulo traumático não apenas para Hilton, mas para os milhares de adolescentes que passaram pela instituição ao longo de suas décadas de funcionamento.