Antes de desaparecer 65 kg do corpo, MC Carol enfrentava uma realidade que vai muito além dos números na balança. A cantora, compositora e atriz revelou que chegava a ter dificuldade para ficar em pé por poucos minutos — uma limitação que invadia sua vida pessoal e também comprometia o trabalho. Foram essas questões que a levaram à cirurgia bariátrica, procedimento que reacendeu um debate importante: o da obesidade como doença crônica, não como um problema meramente estético.
Quando a cirurgia bariátrica é realmente indicada
Em conversa com a CARAS Brasil, o nutrólogo Rubem Regoto deixou claro que a cirurgia não é apenas para quem quer emagrecer. Segundo o especialista, a obesidade é uma doença crônica capaz de desencadear diversas outras condições de saúde, comprometendo significativamente o bem-estar físico e emocional. “A obesidade não tira apenas anos de vida. Ela pode tirar a qualidade dos anos que ainda estão por vir”, afirma.
De acordo com Regoto, o procedimento é indicado geralmente para pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m² ou acima de 35 kg/m² quando existem doenças associadas, principalmente após o insucesso de tratamentos clínicos. No entanto, a decisão não depende apenas desse número.
“A decisão não deve se basear apenas no IMC. É fundamental avaliar também aspectos nutricionais, neuropsicológicos e comportamentais, como depressão, ansiedade, compulsão alimentar e uso de álcool ou outras substâncias, para reduzir riscos e aumentar as chances de um resultado duradouro”, explica o nutrólogo.
O verdadeiro trabalho acontece depois
Aqui está o ponto que Regoto enfatiza com força: a cirurgia não faz o trabalho sozinha. “O maior erro da bariátrica não é voltar a engordar. É acreditar que ela, sozinha, fará o trabalho que depende dos seus hábitos”, diz. O especialista compara o cenário a uma batalha incompleta: “O grande inimigo é operar o estômago, mas manter o cérebro preso aos mesmos padrões”.
Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, sono de qualidade e acompanhamento médico contínuo são absolutamente indispensáveis. A mudança de hábitos precisa ser pequena, dia a dia, mas consistente — essa é a chave para manter os resultados a longo prazo.
Ferramentas modernas para reconstruir hábitos
Regoto menciona recursos complementares que podem auxiliar nesse processo de transformação comportamental. Um deles é a tDCS (estimulação transcraniana por corrente contínua), uma técnica não invasiva que utiliza campos bioelétricos para estimular áreas cerebrais, facilitando a construção de novas vias neurais. Quando associada à terapia psicológica e ao treinamento cognitivo, essa ferramenta pode potencializar significativamente o processo de reconstrução de hábitos.
Os riscos que ninguém fala
O nutrólogo faz um alerta importante sobre um problema frequentemente observado após o procedimento: “Os índices de abuso de substâncias como álcool e drogas sobem muito no pós-bariátrica, sem o devido acompanhamento”. Isso reforça por que o acompanhamento multidisciplinar não é opcional — é essencial.
Cuidados nutricionais após a cirurgia
Após o procedimento, o acompanhamento médico e nutricional torna-se crítico para prevenir deficiências de vitaminas, minerais e proteínas. Consultas periódicas, suplementação quando indicada e acompanhamento contínuo são indispensáveis para preservar os resultados conquistados. A cirurgia bariátrica, portanto, deve ser entendida como apenas uma etapa do tratamento da obesidade — não o fim, mas o começo de um processo muito maior.
Quem é MC Carol
Nascida em 6 de outubro de 1993, em Niterói (RJ), Carolina de Oliveira Lourenço é cantora, compositora, rapper, atriz e ativista. Ganhou projeção nacional com músicas como “Bateu uma Onda Forte”, “Jorginho Me Empresta a 12”, “Liga pro Samu” e “100% Feminista”, parceria com Karol Conká. Em 2018, disputou uma vaga como deputada estadual.