Freddy ‘Boom-Boom’ Cannon, figura-chave do rock and roll dos anos 1950 e 1960, morreu aos 89 anos após uma breve luta contra o câncer. A morte do artista, nascido Frederick Anthony Picariello Jr. em 1936, foi confirmada por Tom Cuddy, produtor de rádio e amigo de longa data.
O legado de um rock and roller puro
Cannon ficou conhecido mundialmente pelos sucessos Tallahassee Lassie (1959) e Palisades Park (1962), mas sua importância transcendia os dois hits. Segundo a Ultimate Classic Rock, entre 1969 e 2016, o cantor lançou 60 singles, com 29 deles chegando às paradas — um número impressionante que reflete sua capacidade de conectar-se com o público ao longo de décadas.
O que distinguia Freddy Cannon era sua energia incomparável no palco. Dick Clark, apresentador lendário do American Bandstand, reconheceu isso de forma inesperada: conforme relato de Tom Cuddy, Clark o convidava para abrir seus shows de oldies justamente porque sabia que Cannon “colocaria o público de pé com rock and roll acelerado”. Não por acaso, Cannon acumulou mais aparições no programa que qualquer outro artista — um recorde que fala por si.
Da TV ao hall da fama do rock
Além de American Bandstand, Freddy Cannon foi rosto constante em programas musicais que definiram gerações: Shindig!, Hullabaloo, Where the Action Is e The Midnight Special. Sua presença consistente na televisão o transformou em celebridade acessível, diferente do misticismo que cercava outras estrelas do período.
Em uma conversa com o site Classic Bands em 2011, Cannon deixou claro que sua reputação não vinha do carisma de ídolo teen, mas da autenticidade do seu som. “Eu nunca pensei que deveria ser um ídolo adolescente. Eu nunca quis ser um ídolo adolescente. Sou um ato de rock and roll — você pode me julgar pelos registros”, explicou. “Não tenho uma voz extraordinária, mas vou fazer rock tão bem quanto qualquer um por aí, ao vivo.”
Admirado por gigantes do rock
Seu impacto ecoou além de sua era. Mick Jagger, dos Rolling Stones, revelou que a música Brown Sugar havia sido inspirada em Tallahassee Lassie. Robert Plant, do Led Zeppelin, foi ainda mais longe: disse a Cannon que a banda gravou uma versão de Tallahassee Lassie, embora essa faixa nunca tenha sido lançada oficialmente. Eram gestos que revelavam como os mestres do rock dos anos 1970 enxergavam Cannon não como nostalgia, mas como fonte genuína de inspiração.
Stephen King também admirava o cantor: menciona Freddy Cannon em quatro de seus livros e incluiu a canção Palisades Park em seu romance 11/22/63, publicado em 2011.
Perdido, mas não esquecido
Sua filha, Conny Weber, divulgou comunicado: “Gostaríamos de agradecer a todos pelo amor e apoio ao longo da vida do nosso pai. Ele será lembrado como um ícone do rock and roll. Sua música viverá para sempre em nossos corações.”
Freddy Cannon pediu, certa vez, para ser julgado por Tallahassee Lassie e Buzz Buzz A-Diddle-It (1961) — as faixas que, em sua opinião, capturavam quem ele realmente era. E assim deveria ser: um musico que se recusou a seguir modas, que priorizou o rock and roll crú sobre qualquer artifício, e que manteve essa filosofia por mais de seis décadas de carreira. Seu legado permanece vivo na obra de gerações que beberam de sua fonte.
Fonte: Ultimate Classic Rock