Artista: Kendrick Lamar
Álbum: GNX
Lançamento: 22 de novembro de 2024
Gênero: Hip-hop, West Coast Rap
Nota DigSousa Music: 9.8/10
Impressão geral
GNX chegou sem aviso. Era madrugada de sexta-feira quando o álbum apareceu nas plataformas — sem campanha de marketing, sem singles prévios, sem contagem regressiva. Apenas Kendrick Lamar, 12 faixas e a confiança absoluta de quem sabe que fez algo extraordinário. Essa confiança era justificada.
O álbum é, por qualquer métrica que você escolha aplicar, uma obra-prima. Lírica, sonora, estruturalmente — GNX opera em um nível de excelência que pouquíssimos álbuns de qualquer gênero atingem. E o faz sem nenhum senso de esforço: soa como a expressão natural de um artista completamente no controle de seus poderes.
A produção: o som de Compton em 2024
A produção de GNX é uma declaração geográfica tanto quanto musical. Cada beat respira Los Angeles — os graves pesados do gangsta rap dos anos 90, os sintetizadores do G-funk, a energia das festas nas ruas de Compton — mas tudo processado através de uma sensibilidade contemporânea que impede qualquer acusação de nostalgia.
A parceria com Jack Antonoff foi a surpresa mais discutida: o produtor, mais associado ao pop indie de Lana Del Rey e Taylor Swift, contribuiu com texturas que ampliam a paleta sonora de Kendrick sem comprometer sua identidade. As transições entre faixas são fluidas mas deliberadas, criando um álbum que funciona como uma unidade coerente além de uma coleção de músicas individuais.
As letras: Kendrick no pico absoluto
Julgar as letras de Kendrick Lamar dentro de um review tradicional é quase inadequado — exige o tipo de análise que se faz de poesia. GNX tem versos que vão ser estudados, citados e debatidos por décadas. A densidade de referências, a precisão cirúrgica das rimas internas, a capacidade de embarcar narrativas complexas dentro de estruturas métricas rigorosas — tudo isso está presente no seu nível mais alto.
“Kendrick Lamar em GNX está operando em um plano diferente. Não é nem rap — é literatura oral com batida.”
— The Atlantic
Faixa por faixa
- “Wacced Out Murals” ★★★★★ — Abertura introspectiva e corajosa; recusa a celebração fácil
- “Squabble Up” ★★★★★ — O hino de festa do álbum, com letras mais densas do que parecem à primeira escuta
- “Luther” feat. SZA ★★★★★ — A colaboração mais bela do álbum; sobre amor e gratidão
- “Man at the Garden” ★★★★½ — Narrativa complexa sobre ambição e sacrifício
- “Gloria” ★★★★★ — Talvez a música mais bela que Kendrick já gravou
- “Reincarnated” ★★★★★ — Meditação sobre legado e mortalidade que soa como testamento
- “TV Off” feat. Lefty Gunplay ★★★★ — Energia de rua que prova que Kendrick não perdeu a conexão com suas raízes
- “Heart Pt. 6” ★★★★★ — Encerramento perfeito de uma saga de anos; emocionante e definitivo
Conclusão
Em uma era em que o consumo de música é fragmentado e frequentemente superficial, GNX exige e recompensa atenção. É um álbum que cresce com cada escuta, que revela novas camadas a cada retorno. É, sem qualquer hesitação, o melhor álbum de rap de 2024 e um dos melhores da última década em qualquer gênero. Nota: 9.8/10.
Fontes e Referências
- • Pitchfork: GNX Review — nota 9.3 — pitchfork.com
- • The Atlantic: GNX Is Literature With a Beat — theatlantic.com
- • Rolling Stone: GNX: Kendrick Lamar’s Perfect Album — rollingstone.com
- • Metacritic: GNX — Universal Acclaim 95/100 — metacritic.com