Do Jornal Nacional para a garagem: a reinvenção de William Bonner
William Bonner está com 62 anos e resolveu dar um novo rumo à sua vida. O apresentador e jornalista que marcou gerações como âncora e editor-chefe do Jornal Nacional trocou o jornalismo diário por uma nova profissão há poucos anos, priorizando uma rotina mais flexível e tempo com a família.
A mudança não foi abrupta. Bonner se despediu do telejornal que o consagrou e migrou para o Globo Repórter, ao lado de Sandra Annenberg. Como o programa vai ao ar apenas uma vez por semana e é gravado, ele ganhou mais liberdade na agenda — algo crucial para quem agora é pai de trigêmeos com a ex-mulher Fátima Bernardes, dos quais dois vivem na França.
A paixão por carros antigos virou negócio
O que começou como hobby se transformou em atividade profissional. Bonner é apaixonado por veículos clássicos e mantém uma coleção em sua casa na Serra do Rio de Janeiro, mas diferente de um simples colecionador, ele comercializa regularmente os carros que restaura. A coleção muda constantemente — ele está sempre vendendo e comprando novos veículos para seu acervo.
Quatro décadas construindo um legado na TV
A trajetória de William Bonner (nome artístico de William Bonemer Júnior) começou bem antes de se tornar sinônimo do Jornal Nacional. Formado em Comunicação Social pela USP, ele iniciou sua carreira no rádio em 1983 como locutor da Rádio USP. Adotou o sobrenome artístico Bonner para facilitar a pronúncia do público — sua origem é libanesa.
Na televisão, estreou em 1985 pela TV Bandeirantes São Paulo, mas foi a TV Globo que o consagrou. A partir de 1986, apresentou SPTV, Fantástico e Jornal da Globo antes de chegar ao programa que o tornaria legendário.
O reinado no Jornal Nacional
Em 1996, Bonner assumiu a apresentação do Jornal Nacional e, três anos depois, se tornou editor-chefe do telejornal de maior audiência do país. Sob sua liderança, o programa passou por transformações profundas: abandonou a leitura formal e engessada em favor de uma linguagem mais direta e conversada com o telespectador.
Durante suas décadas na bancada, cobriu históricos nacionais e internacionais — desde atentados globais até eleições presidenciais, passando pela pandemia de COVID-19. Em 2011, o Jornal Nacional conquistou o Emmy Internacional na categoria Notícia pela cobertura da ocupação do Complexo do Alemão, no Rio, sob sua direção editorial.
Tio Bonmer e a reinvenção nas redes sociais
Fora do estúdio, Bonner se reinventou novamente. Nos primórdios das redes sociais no Brasil (2008-2010), foi um dos primeiros grandes nomes do jornalismo tradicional a adotar tom informal no Twitter/X, compartilhando bastidores do JN com leveza e humor. Os internautas o apelidaram carinhosamente de Tio Bonmer.
Agora, longe da rotina diária de um telejornal, Bonner segue sua paixão por carros antigos — o mesmo tipo de flexibilidade e liberdade criativa que sempre o caracterizou, mas desta vez fora das câmeras da TV.