Tony Iommi não economizou palavras ao falar sobre alguns pontos do seu novo álbum solo From The Dark, que sai em 23 de outubro. Em entrevista à Rolling Stone, o guitarrista revelou dois elementos que o desagradaram — mas que, mesmo assim, acabaram entrando no produto final.
O videoclipe que ele não queria fazer
O primeiro incômodo de Iommi foi com o vídeo do single de abertura “World Alone”. Segundo o músico, ele não tinha vontade de fazer um clipe tradicional com a banda toda tocando — formato que, na visão dele, já foi explorado à exaustão no rock.
“Eu não queria fazer um vídeo com toda a banda. Não queria fazer vídeo mesmo, para ser honesto. Mas eles fizeram. É tipo um filme onde eu apareço algumas vezes apenas tocando. Mas eu só não queria ir pelo caminho antigo de todas as bandas de pé tocando e fazendo um desses”, desabafou.
O guitarrista também brincou com a própria imagem na tela. “Não estou realmente afim de fazer vídeos porque sempre pareço entediante. Fico só aí tocando. Não posso pular ou fazer acrobacias. Sou velho demais para isso!”, comentou com humor. Apesar das críticas pessoais, Iommi reconheceu o trabalho da equipe: “Mas acho que os caras que fizeram o vídeo fizeram um bom trabalho”.
A falta de guitarra acústica — quase
O segundo ponto de insatisfação foi mais estilístico. Iommi revelou que compôs alguns trechos acústicos, mas preferiu não incluí-los no álbum final, mantendo a obra focada em seu som característico: guitarras pesadas e obscuras.
“Fiz um casal de coisas acústicas, mas não as usei. Pensei em manter o álbum como está. E além disso, já é bem longo. Não conseguiríamos colocar tudo”, explicou. A regra tinha exceção: a faixa “Legacy”, que traz uma guitarra acústica em destaque.
Para justificar a inclusão dessa única peça acústica, Iommi deixou transparecer sua filosofia criativa: “Gosto de fazer algo que você não espera realmente”. Mas em seguida, voltou a brincar com suas próprias limitações no instrumento. “E para ser honesto, odeio tocar acústica. Não sou muito bom tocando acústica. Mas naquele trecho, pensei que seria legal e diferente”.
O álbum que queria fazer
As confissões de Iommi deixam claro que From The Dark reflete seus gostos naturais: riffs lentos e pesados, sem as acrobacias visuais que tornaram o rock moderno mais espetacular. Sua insistência em manter o álbum focado naquilo que gosta — doomy riffs e clima sombrio — mostra um artista que, aos 78 anos, não está interessado em acompanhar tendências.
O lançamento de 23 de outubro marca mais um capítulo na carreira solo do co-fundador do Black Sabbath, reforçando que sua prioridade continua sendo a música acima de qualquer outro elemento.