Harry fala sobre o luto nunca vivido
O príncipe Harry abriu o coração mais uma vez ao relembrar o impacto da morte de sua mãe, a princesa Diana, em sua vida. Em uma nova MasterClass sobre luto, batizada de Redefining Grief: Building Resilience Through Loss, o duque de Sussex contou que passou quase duas décadas sem conseguir chorar pela perda da mãe, morta em 1997, quando ele tinha apenas 12 anos.
A conversa, feita ao lado da neurocientista Mary-Frances O’Connor, especialista em luto, trouxe relatos pessoais que mostram como Harry precisou de anos para compreender a dimensão do trauma. “Eu estava convencido de que aquilo era força, mas não era. Era um menino de 12 anos, sem permissão para desmoronar e sem um caminho para saber como se curar”, disse Harry, segundo o que foi apresentado na aula.
Funeral, silêncio e a ausência das lágrimas
Harry relatou que só conseguiu chorar no funeral de Diana — e depois disso, o choro simplesmente não veio mais. Ele descreveu como, ao tentar se proteger da dor, acabou também se afastando das memórias felizes que tinha da mãe. Com o tempo, chegou a esquecer a voz e a risada de Diana. Segundo o príncipe, essa autodefesa emocional o acompanhou por anos e influenciou diversas fases de sua vida.
O papel da terapia: resgate das memórias e permissão para sofrer
Foi apenas anos mais tarde, já adulto e em processo terapêutico, que Harry começou a encarar de frente a própria dor. Um dos momentos marcantes dessa trajetória aconteceu quando um terapeuta sugeriu que ele sentisse o perfume que Diana usava. O cheiro trouxe de volta lembranças que pareciam inalcançáveis e mostrou ao príncipe como os sentidos estão ligados à memória afetiva.
Harry destacou que a terapia foi fundamental para que ele aprendesse a reconhecer e expressar sentimentos. “Uma das maiores coisas que consegui com a terapia foi ter permissão para sofrer”, afirmou durante a MasterClass.
Depressão, ataques de pânico e o impacto do luto na vida adulta
O luto não resolvido também se manifestou de outras formas na vida adulta do duque. Harry contou que sofreu ataques de pânico durante compromissos oficiais e, depois de se mudar para os Estados Unidos com Meghan Markle e o filho Archie, em 2019, enfrentou um episódio de depressão que durou cerca de duas semanas. Ele descreveu esse período como uma espécie de “queda de adrenalina” após anos sob pressão intensa, só percebendo o peso emocional quando se afastou da rotina da realeza.
Esses episódios reforçaram a importância do acompanhamento psicológico em sua vida. Harry relatou que só conseguiu mudar sua relação com a perda ao aprender a nomear e vivenciar seus sentimentos — e que esse processo foi essencial para sua recuperação.
Diana segue presente: o luto não termina, se transforma
Apesar do tempo, Harry garante que a mãe continua presente em seu cotidiano. Ele disse que pensa em Diana praticamente todas as noites e manhãs, e mantém uma foto dela sempre por perto. O príncipe também costuma refletir sobre o que Diana pensaria sobre a vida que construiu até aqui, mostrando que a ausência física não apagou o vínculo afetivo.
Ao compartilhar sua experiência, Harry não apenas revisita a dor de perder a mãe ainda na infância, mas também lança luz sobre o longo caminho até compreender o próprio luto e encontrar formas de conviver com a ausência.
Para quem acompanha a trajetória do príncipe, o relato é mais um capítulo de um processo público de autoconhecimento e ressignificação da dor — um tema que, apesar de pessoal, repercute no mundo todo por sua franqueza e humanidade.
Fonte: CARAS Brasil