Plas Johnson, o saxofonista cujo solo transformou o tema de A Pantera Cor-de-Rosa em uma das melodias mais reconhecíveis da história do cinema, morreu nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, em sua casa em Los Angeles, aos 94 anos. A morte foi confirmada por seus filhos, Eric Johnson e Stephanie Oliver, ao The New York Times.
O Solo que Marcou Gerações
A melodia sedutora e levemente cômica que abre os créditos animados do filme de Blake Edwards foi composta por Henry Mancini em 1963, mas foi o saxofone tenor de Johnson que lhe deu vida. Mancini escreveu a peça pensando especificamente nele: os dois já haviam trabalhado juntos no tema da série Peter Gunn (1958), que rendeu ao compositor o primeiro Grammy de Melhor Álbum da história da premiação.
A gravação do tema aconteceu de madrugada, no frio, e exigiu apenas duas tomadas. “Quando terminamos, todos aplaudiram — até os músicos de cordas. E isso é muito raro. Eles nunca aplaudem nada”, contou Johnson em entrevista ao The Modesto Bee em 2007. O solo que aparece no meio da faixa foi totalmente improvisado no estúdio. Lançada como single, a música entrou no Top 10 da parada Adult Contemporary nos Estados Unidos e venceu três Grammys, incluindo o de melhor arranjo instrumental.
Pioneirismo em Hollywood
Nascido em Donaldsonville, no interior da Louisiana, em 21 de julho de 1931, Plas Johnson cresceu em uma família de músicos: o pai tocava saxofone e banjo; a mãe, além de cantar, tocava piano. Aos 12 anos, ganhou do pai um saxofone soprano e, rapidamente, evoluiu para os modelos alto e tenor.
Na década de 1950, após uma passagem pelo Exército americano, mudou-se para Los Angeles e se tornou um dos primeiros músicos negros a consolidar uma carreira consistente nos estúdios de cinema e televisão de Hollywood. Johnson integrou o chamado Wrecking Crew, grupo informal de músicos de estúdio que gravava praticamente tudo o que saía das grandes gravadoras e produtoras da época.
Uma Carreira Monumental
Seu sax apareceu em discos de Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Barbra Streisand, Marvin Gaye, Elton John, Frank Zappa e B.B. King, além de trilhas de séries. Ele também tocou no histórico Pet Sounds (1966), dos Beach Boys. Paralelamente, manteve uma carreira de jazz em clubes noturnos e lançou mais de uma dezena de álbuns solo. Por 15 anos, foi integrante da banda do apresentador Merv Griffin em seu programa de televisão.
Segundo a família, Johnson havia se apresentado na comunidade onde vivia apenas um mês antes de sua morte, quase às vésperas de completar 95 anos. Nos últimos anos, finalmente passou a receber reconhecimento público pelo papel que desempenhou naquele solo de 1963, e incluiu o tema de A Pantera Cor-de-Rosa em seus shows. “Às vezes as pessoas me dizem que eu sou exatamente como a versão original. Os olhos ficam arregalados quando conto que fui eu quem tocou”, disse ao Long Beach Press-Telegram em 2005.
Legado Familiar
Johnson deixa a esposa, Carol Johnson, com quem foi casado por 60 anos, além de seis filhos, oito netos e 12 bisnetos. Seu legado permanece vivo em cada vez que aquele solo icônico toca nas telas de cinema ao redor do mundo.