A maternidade como resistência
A publicitária Mocita Fagundes, nora da renomada atriz Gloria Menezes, fez um desabafo em suas redes sociais nesta quinta-feira, 8 de outubro, sobre a realidade de ser mãe de um homem trans no Brasil. O relato, que aborda a identidade de gênero de seu filho, Theo Fagundes, de 23 anos, e a luta contra o preconceito, foi compartilhado pela CARAS Brasil.
Mocita explicou que, dentro do círculo familiar, a identidade de Theo sempre foi tratada com naturalidade e liberdade, um tema que ela já havia abordado publicamente, inclusive mencionando a forma como Gloria Menezes recebeu a notícia. No entanto, o cenário atual a motivou a se posicionar de forma mais incisiva. “Ser mãe de um menino trans é também um ato de resistência”, escreveu Fagundes no início de sua publicação.
O medo e a coragem de existir
A publicitária descreveu Theo como um jovem “lindo, corajoso, trabalhador, amoroso” e expressou seu orgulho. Contudo, ela também revelou o medo constante que a acompanha. “Mas ser mãe de um filho trans no Brasil também é conviver com o MEDO. Eu vi posts de um garoto (muito jovem) que se elegeu deputado por SP com um discurso de fazer qualquer mãe de filho gay não dormir a noite. E isso virou um alerta de perigo”, lamentou.
Mocita refletiu sobre a imensa coragem que é necessária para existir em um mundo que, segundo ela, insiste em negar a muitas pessoas o direito de serem quem são. “As pessoas trans não deveriam precisar ser tão corajosas para simplesmente viver! Não deveriam precisar lutar tanto por direitos que deveriam ser óbvios. Não deveriam ter que provar a ninguém que merecem respeito, dignidade e amor”, continuou em seu desabafo.
Combate à violência e defesa da dignidade
No texto, a mãe de Theo enfatizou a urgência de combater a violência e o preconceito direcionados à população trans. “Meu filho não precisa da autorização de ninguém para existir! Não precisa da aprovação de ninguém para ser feliz! E não precisa caber nas expectativas de uma sociedade que ainda tem tanto a aprender sobre humanidade”, afirmou.
Ela defendeu que não basta apenas respeitar as diferenças; é fundamental combater a violência que as transforma em “sentenças de morte”. Mocita expressou seu desejo por um Brasil onde mães não precisem temer a perda de seus filhos por causa de sua identidade. “Porque meu filho não nasceu para ser tolerado. Nasceu para ser amado, respeitado e, acima de tudo, para viver”, concluiu.
Ao finalizar a publicação, Mocita Fagundes reafirmou seu apoio incondicional ao filho. “E eu vou estar ao lado dele. Sempre. Com amor de mãe. Com coragem de mulher. E com a indignação de quem não aceita que o preconceito tenha mais força do que a vida. A existência trans não é uma ameaça. A transfobia, sim. “E se fosse seu filho ou filha?”. Pense nisso”.
Fonte: CARAS Brasil