Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão, morreu nesta quarta-feira, 22 de julho, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. O produtor estava internado no Hospital Copa Star, onde tratava uma infecção pulmonar decorrente de pneumonia. A informação foi confirmada pela família ao Rolling Stone Brasil.
Seis décadas de audiovisual brasileiro
Durante mais de 60 anos de carreira, Barreto participou de mais de uma centena de produções entre filmes, documentários e coproduções, tornando-se figura incontornável na consolidação do cinema brasileiro dentro e fora das fronteiras nacionais. Nascido em Sobral, Ceará, em 1928, começou como fotojornalista na revista O Cruzeiro antes de migrar definitivamente para o cinema.
A trajetória profissional decolou quando trabalhou com Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos durante as filmagens de Barravento (1962). A partir daí, participou de obras fundamentais do Cinema Novo, como Vidas Secas (1963) e Terra em Transe (1967), marcos da cinematografia nacional que consolidariam seu lugar na história do audiovisual do país.
LC Barreto Produções: a máquina de clássicos
Ao lado da esposa, a produtora Lucy Barreto, fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas, responsável por alguns dos maiores sucessos do cinema brasileiro. Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976) permaneceu por décadas entre as maiores bilheterias do país, enquanto Bye Bye Brasil (1980), Menino do Rio (1982), Memórias do Cárcere (1984) e Como Era Gostoso o Meu Francês (1971) marcaram gerações de espectadores.
A produtora também ajudou a levar o Brasil duas vezes à disputa do Oscar de Melhor Filme Internacional: O Quatrilho (1995), dirigido por Fábio Barreto, e O Que É Isso, Companheiro? (1997), dirigido por Bruno Barreto. Ambos filhos do casal, os cineastas herdaram e continuaram a tradição da família no audiovisual.
Legado que transcende gerações
Reconhecido por defender o cinema como ferramenta de transformação cultural, Barretão atravessou diferentes fases da indústria audiovisual brasileira, desde o Cinema Novo até a retomada do setor nos anos 1990. Mesmo nos últimos anos de vida, continuava envolvido em projetos ligados ao audiovisual, incluindo novos documentários sobre sua própria trajetória e produções ainda inéditas.
Luiz Carlos Barreto deixa a esposa Lucy Barreto, com quem foi casado por mais de sete décadas, além dos filhos Bruno e Paula, netos e bisnetos. O velório foi realizado na quinta-feira, 23, no Palácio da Cidade, em Botafogo, com a cremação ocorrendo posteriormente no Memorial do Caju, no Rio de Janeiro.
Seu legado influenciou gerações de cineastas e ajudou a projetar o cinema brasileiro internacionalmente, consolidando uma carreira que poucos nomes do audiovisual nacional conseguiram alcançar em termos de impacto e longevidade.