Uma perda sentida no jornalismo brasileiro
O jornalismo brasileiro perdeu um de seus rostos mais conhecidos no Acre. Ayres Rocha, apresentador histórico da Rede Amazônica — afiliada da Globo no estado — morreu aos 62 anos, em 14 de outubro de 2026, em Rio Branco. Ele enfrentava um câncer de próstata e havia retornado recentemente ao Acre após tratamento médico em João Pessoa, conforme relatado pelo TV Foco.
Três décadas de dedicação à televisão
Ayres Rocha construiu uma carreira sólida ao longo de mais de 30 anos na televisão. Sua trajetória começou em 1989, quando trocou o trabalho no banco pela apresentação de um programa esportivo na antiga TV Acre. A oportunidade inesperada abriu portas para uma história marcada por profissionalismo e proximidade com o público.
Em 1995, Ayres passou a apresentar o Jornal do Acre 2ª Edição (JAC2), consolidando-se como referência do telejornalismo regional. Seu estilo sereno e comunicação direta conquistaram o carinho dos telespectadores, tornando-o uma figura de confiança para a população acreana.
Reconhecimento nacional na bancada do Jornal Nacional
O momento de maior projeção nacional veio em 2019, quando a Globo celebrou os 50 anos do Jornal Nacional com uma edição especial. Profissionais de diversas afiliadas foram convidados para dividir a bancada do principal telejornal do país. Ayres representou o Acre ao lado da jornalista baiana Jéssica Senra. A participação levou seu trabalho a uma audiência nacional e simbolizou o reconhecimento do jornalismo produzido fora dos grandes centros.
Para os acreanos, ver Ayres no JN foi motivo de orgulho. O episódio marcou um capítulo especial em sua carreira e reforçou a importância de valorizar profissionais que constroem trajetórias relevantes longe do eixo Rio-São Paulo.
Professor, colega e referência
Ao longo dos anos, Ayres Rocha foi chamado de “professor” por colegas e amigos. Mais do que um apresentador, era reconhecido pelo bom humor e pela postura acolhedora nos bastidores. Sua dedicação ao jornalismo e à formação de novas gerações deixou marcas profundas na Rede Amazônica e no jornalismo acreano.
Em novembro de 2024, Ayres se aposentou após mais de três décadas de atuação. Mesmo longe da rotina diária da bancada, seguiu como referência e inspiração para profissionais e telespectadores. Seu legado está associado à informação de qualidade, à ética e à relação próxima com a comunidade.
Comoção e despedida
A morte de Ayres Rocha provocou manifestações de pesar de familiares, colegas e instituições. Sua irmã, Elaina Rocha, confirmou o falecimento nas redes sociais com uma mensagem marcada pela fé. O jornalista havia retornado a Rio Branco cerca de um mês antes de morrer, expressando o desejo de estar perto da família nos últimos dias.
Veículos nacionais como Terra, g1 e UOL também repercutiram a notícia, mostrando o alcance do impacto de sua trajetória. Entre amigos e profissionais da comunicação, o sentimento é de gratidão pelo legado deixado e pela contribuição ao jornalismo regional e nacional.
Um legado que ultrapassa gerações
Ayres Rocha mostrou, ao longo de sua vida, que o jornalismo regional tem força e pode conquistar espaço em nível nacional sem perder a ligação com a comunidade local. Sua história é exemplo de como dedicação, ética e carisma podem transformar um comunicador em referência para diferentes gerações.
O Acre se despede de um de seus maiores nomes da televisão, enquanto o Brasil reconhece a importância de jornalistas que fazem a diferença longe dos holofotes dos grandes centros.
Fonte: TV Foco