Um marco para o rap brasileiro
Matuê entrou para a história do Rock in Rio Lisboa 2026 ao se tornar o primeiro rapper brasileiro a pisar no Palco Mundo, o principal palco do festival. A apresentação aconteceu neste domingo (28) no Parque Papa Francisco, em Loures, na área metropolitana de Lisboa, encerrando a programação do evento que reuniu uma multidão para acompanhar o show do artista cearense.
O momento representa um avanço significativo para o rap e funk brasileiro na cena internacional. Historicamente, o Rock in Rio tem sido associado a artistas de rock, pop e música eletrônica, mas a crescente relevância do hip-hop brasileiro conquistou espaço no maior festival de música dos Lusófonos. Matuê cumpriu essa missão com um show robusto e bem pensado.
Um setlist de sucessos confirmados
O show começou forte com “777-666”, um dos maiores hits do artista, e seguiu por uma sequência de sucessos que consolidaram sua carreira nos últimos anos. “Quer Voar”, “Crack com Mussilon” e “Conexões da Máfia” marcaram presença no setlist — essa última faixa tem relevância especial ao ter debutado como a música mais executada de Portugal no Spotify em 2023, evidenciando o alcance da produção de Matuê no mercado lusófono.
A escolha das músicas não foi aleatória: representam o crescimento de Matuê dentro da indústria fonográfica e sua capacidade de conectar públicos diferentes. Cada faixa traz elementos que reforçam sua proposta artística, mantendo coerência entre a mensagem e a execução no palco.
Produção visual à altura do momento
Além da qualidade musical, Matuê investiu numa cenografia sofisticada para marcar a ocasião. O show foi cercado por formações monolíticas futuristas e projeções que criavam um conceito de deserto distópico — uma escolha estética que complementava a narrativa sonora e reforçava a identidade visual do artista.
A estrutura do espetáculo foi dividida em dois blocos e contou com o apoio de uma banda completa ao vivo, afastando-se da dependência exclusiva de bases eletrônicas e ampliando as possibilidades sonoras. Essa decisão técnica elevou a sofisticação da apresentação e mostrou que Matuê compreende as exigências de um palco do calibre do Rock in Rio.
Parcerias que fortalecem a cena
O show ainda ganhou reforço com participações especiais de artistas parceiros de Matuê. Os rappers Brandão e Cashley subiram ao Palco Mundo para colaborações que reforçaram a solidariedade da cena de rap brasileiro e o peso coletivo que ela vem ganhando internacionalmente.
Essas participações não são apenas momentos pontuais de um show — elas carregam significado político e artístico. Representam a valorização de nomes da cena que construíram seu repertório junto com Matuê, consolidando uma rede de artistas que se alimenta mutuamente de credibilidade e visibilidade.
O que significa para o rap brasileiro
A passagem de Matuê pelo Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa marca um turning point para o hip-hop brasileiro no mercado europeu. O artista não apenas cumpriu agenda de festival, mas abriu caminho para outras produções rap e trap brasileiras chegarem aos principais palcos mundiais.
Esse reconhecimento não emerge do nada: vem de anos de trabalho dedicado à produção musical, parcerias estratégicas e uma capacidade comprovada de criar hits que transcendem barreiras geográficas. O fato de “Conexões da Máfia” ter alcançado o topo das músicas mais reproduzidas de Portugal demonstra que o público europeu não apenas consome — ele absorve e adota a música brasileira como sua.
Fonte: Rolling Stone Brasil