Uma união marcada por superação
Regina Casé, conhecida por sua trajetória sólida no teatro, cinema e televisão, mantém há 26 anos uma parceria com o diretor, roteirista e produtor Estêvão Ciavatta. O casal oficializou a união em 1999, mas a vida a dois foi marcada por desafios que testaram a força da família.
O acidente que mudou tudo
Em 2008, Estêvão Ciavatta sofreu um acidente grave enquanto andava a cavalo em Mangaratiba, na Costa Verde do Rio de Janeiro. Ele caiu de cabeça no chão após o animal se descontrolar, perdendo imediatamente os movimentos do corpo. Segundo relato publicado na CARAS Brasil, o impacto foi tão intenso que Ciavatta acabou tetraplégico temporariamente.
Mesmo imobilizado, o diretor conseguiu orientar as pessoas ao redor a não tocarem nele, seguindo recomendações médicas. O socorro demorou cerca de 50 minutos para chegar, tempo em que ele conseguiu avisar Regina Casé sobre o acidente. “Eu consegui falar para ela: Sofri um acidente, caí do cavalo, alguma coisa nas vértebras cervicais. Não estou mexendo nada. Mas estou bem”, relembra Ciavatta. Regina, ao chegar ao local, ficou paralisada ao ver o marido envolto em uma poça de sangue.
A luta pela recuperação
Após uma cirurgia e três semanas de internação, Estêvão iniciou um longo processo de recuperação. A perda total dos movimentos durou cerca de seis meses. Até hoje, o diretor convive com limitações, mas mantém uma rotina rigorosa de condicionamento físico. “Minha rotina é fazer condicionamento físico pelo menos três vezes por semana, sem me permitir ser sedentário nos outros dias. Muita gente me pergunta se me recuperei 100%. Não, respondo. Eu diria que cheguei perto dos 80%, pois tenho uma vida independente, ainda que tenha que conviver com limitações de movimento e sensibilidade por todo o corpo”, compartilha.
Regina Casé esteve ao lado do marido durante todo o período de recuperação, dividindo os cuidados e apoiando Estêvão em cada etapa do processo.
Adoção: um novo capítulo
O acidente impactou não só a saúde física de Estêvão, mas também planos pessoais do casal. Antes do acidente, Regina e Estêvão já pensavam em adotar uma criança. Com a gravidade da lesão, a busca pela adoção precisou ser interrompida. “Na verdade, eu e Regina já estávamos tentando adotar uma criança antes do acidente e, quando me vi naquela precária situação, física e psicológica, tivemos que dar um tempo nesse desejo. Afinal, eu mesmo tinha praticamente virado uma criança em razão dos inúmeros cuidados que exigia”, relata o diretor.
Três anos após o acidente, Ciavatta recuperou parte da função sexual e, mesmo podendo gerar filhos biologicamente, o casal manteve o plano de adotar. Em 2013, Roque chegou à família, iluminando uma nova fase. “Quando me senti com alguma força para me dedicar a um bebê, voltamos a pensar no assunto. O processo de busca não foi fácil, mas, quando o Roque nos encontrou, foi como uma luz se acendendo e iluminando o caminho por vir. A partir daquele momento, não havia mais a possibilidade de eu não conseguir cuidar dele e, assim, não conseguir cuidar de mim também”, diz Ciavatta.
Família fortalecida
Hoje, Regina Casé, aos 72 anos, e Estêvão Ciavatta celebram a trajetória de superação e união. Regina, que já era mãe de Benedita, de 37 anos, fruto do relacionamento com o artista plástico Luiz Zerbini, vê a chegada de Roque como um marco de renovação na vida da família.
O relato de Ciavatta, que será publicado no livro No passo da cobra, previsto para novembro, mostra como o casal superou juntos as adversidades e transformou momentos difíceis em crescimento e afeto. A história revela uma família que encontrou força na adversidade, mantendo-se unida e resiliente.
Fonte: CARAS Brasil