Jay-Z fez história no Yankee Stadium em julho de 2026 ao organizar três noites de shows que funcionaram como celebração dupla: os 30 anos do álbum de estreia Reasonable Doubt e 25 anos de The Blueprint. O que poderia ser apenas um grande acontecimento — afinal, é sempre significativo quando uma lenda do rap faz um show em estádio na sua cidade natal — virou algo ainda mais monumental graças à lista de convidados que Jay-Z reuniu nas apresentações de 10, 11 e 12 de julho.
Os encontros mais memoráveis: Beyoncé, Nas e Eminem
De acordo com a Rolling Stone Brasil, Beyoncé foi uma presença garantida nas apresentações, abrindo a primeira noite ao lado de Jay-Z em “Can’t Knock the Hustle” e voltando na terceira noite para performar “Drunk in Love”. O casal mais poderoso da música moderna deixou o estádio em êxtase.
Nas, o rival histórico de Jay-Z, marcou um momento particularmente simbólico. A dupla, que viveu uma rivalidade intensa no começo dos anos 2000 — quando Jay-Z lançou o ataque feroz “Takeover” contra diversos rappers em 2001 — finalmente subiu ao palco junto na noite um. Fizeram as duas versões de “Dead Presidents” e ainda mandaram clássicos de Nas como “The World Is Yours” e “N.Y. State of Mind”. Um ciclo completo para dois gigantes do rap nova-iorquino.
Eminem também marcou presença especial. O colega de “Renegade” raramente se apresenta em público, mas apareceu na noite dois para apoiar Jay-Z. O feito ganhou ainda mais importância porque Eminem ainda emendou seu megahit “Lose Yourself” durante a apresentação, encerrando anos de debate sobre quem teria “lavado” quem naquela faixa clássica de 2001.
Família e pupilos leais
Os laços familiares também marcaram presença forte. Blue Ivy Carter, aos 14 anos, se juntou ao pai para tocar piano em “Feelin’ It” na noite um, deixando claro que está seguindo os passos talentosos de seus pais. Memphis Bleek, um dos pupilos mais leais de Jay-Z desde os tempos dos Marcy Projects, apareceu para fazer “Coming of Age” junto com o padrinho.
Momentos de reconciliação e saudade
Jaz-O, o veterano do Bed-Stuy que foi mentor de Jay-Z no fim dos anos 1980, reapareceu para um momento de ciclo completo. Foi ele quem apresentou Jay-Z ao mundo da música, colocando-o em “Hawaiian Sophie” em 1989, muito antes do mundo saber seu nome. Na noite um, os dois cantaram juntos “Bring It On”, de 1996, sellando a reconciliação deles.
Parcerias icônicas e legado
Pharrell Williams, que construiu parceria próxima com Jay-Z no fim dos anos 1990 quando os Neptunes produziram muitos dos maiores hits do rapper, marcou presença forte. Na noite dois, durante o encore, os dois tocaram “Excuse Me Miss”, “La La La”, “I Just Wanna Love U (Give It 2 Me)”, “Frontin'” e “Allure” — um mini-set que poderia ter sido o show principal em qualquer outra apresentação. Repetiram a dose na noite três.
Alicia Keys fechou a noite um com estilo, fazendo um cover de “New York State of Mind”, de Billy Joel, antes de cantar “Empire State of Mind” com Jay-Z. Enquanto aquele refrão icônico tocava — “Let’s hear it for New York, concrete jungle where dreams are made of…” — o espírito da cidade estava em alta.
Rarer performances e homenagens
Slick Rick, o lendário ícone do rap com seu característico tapa-olho e sotaque britânico, apareceu quando Jay-Z abriu a noite dois com “The Ruler’s Back”, primeira faixa de The Blueprint. Como a música era uma homenagem à faixa homônima de Slick Rick de 1991, a conexão foi especialmente significativa. O veterano ainda ganhou um momento de destaque extra com “La Di Da Di”.
Teyana Taylor representou Harlem na noite três, aparecendo para fazer a parte de Mary J. Blige em “Can’t Knock the Hustle”. O show “Extra Innings” da terceira noite teve o maior número de convidados de todo o fim de semana, transformando a apresentação em uma verdadeira celebração da carreira completa de Jay-Z e de suas influências ao longo de três décadas.
O Yankee Stadium virou, por três noites, um memorial vivo do impacto que Jay-Z teve na música e na cultura. Uma reunião de décadas de relacionamentos, parcerias duradouras e até rivalidades que viraram respeito mútuo — exatamente o que você esperaria de um artista que, como disse de forma memorável, tem “um monte de números famosos salvos no celular”.
Fonte: Rolling Stone Brasil