A Globo divulgou um áudio inédito de 2009 que resgata a voz de Eliza Samudio denunciando ameaças de morte feitas pelo então goleiro do Flamengo Bruno Fernandes. A gravação foi revelada pela série documental “História do Crime”, produção de true crime do G1 e GloboPop que abriu seu primeiro episódio com o caso.
Na gravação, Eliza relata o ultimato disparado pelo atleta: “Se você for à delegacia ou a qualquer lugar, eu vou atrás de você. Mato você, mato sua família”. O áudio histórico documenta a violência que a jovem enfrentava um ano antes de seu desaparecimento, em 4 de junho de 2010, quando tinha 25 anos de idade.
O caminho até o desaparecimento
Conforme reportagem do TV Foco, Eliza e Bruno travavam uma disputa judicial pelo reconhecimento da paternidade de seu filho. Durante a gestação, a jovem já havia formalizado uma denúncia na Delegacia de Atendimento à Mulher (DEAM) no Rio de Janeiro por agressões físicas sofridas.
A escalada da violência culminou quando comparsas do goleiro sequestraram Eliza e seu bebê de quatro meses à força de um hotel na Barra da Tijuca. As vítimas foram levadas até a residência do jogador no Recreio dos Bandeirantes. Entre os envolvidos no sequestro estavam Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, e um primo de Bruno, menor de idade na época. Investigações apontam que, durante o trajeto, Eliza sofreu agressões que resultaram em ferimento na cabeça.
O desdobramento em Minas Gerais
Dias após o cárcere inicial no Rio de Janeiro, os comparsas transportaram as vítimas compulsoriamente para o sítio de propriedade de Bruno em Esmeraldas (MG). A viagem contou com a participação de Fernanda Gomes de Castro, namorada do goleiro na ocasião.
Em 10 de junho de 2010, Macarrão e o adolescente conduziram Eliza ao cativeiro final na residência do ex-policial militar Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola. Segundo os autos processuais, o ex-agente asfixiou a jovem e ocultou o cadáver. O recém-nascido foi inicialmente entregue aos cuidados de Dayanne Rodrigues, ex-mulher de Bruno, e posteriormente repassado a outros funcionários do sítio. A polícia localizou a criança em 26 de junho em uma casa em Ribeirão das Neves (MG).
As condenações e situação atual dos envolvidos
Bruno Fernandes foi condenado em 2013 a 22 anos e 3 meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e cárcere privado. Após progredir para o regime semiaberto em 2019 e obter condicional em 2023, o ex-goleiro teve o benefício revogado pela Justiça em março de 2026 devido ao descumprimento de medidas restritivas. A Polícia Militar o prendeu em São Pedro da Aldeia (RJ) em maio de 2026, após passar dois meses foragido.
Macarrão confessou participação no crime em 2012 e apontou Bruno como o mandante, recebendo pena de 15 anos em regime fechado. Obteve progressão para o regime condicional em 2018. O ex-policial Bola recebeu sentença de 22 anos de reclusão. Elenilson da Silva e Wemerson Marques foram condenados por sequestro e cárcere privado da criança. Fernanda Gomes de Castro cumpriu pena alternativa de serviços comunitários, enquanto Dayanne Rodrigues foi totalmente inocentada pelo tribunal.
O luto da família continua
Apesar da Justiça ter solucionado o caso ao condenar os responsáveis, o corpo de Eliza nunca foi localizado. Para a família, o sofrimento ainda persiste. O desejo é encontrar os restos mortais para permitir um sepultamento digno à jovem.
A divulgação do áudio inédito pela série “História do Crime” traz à tona novamente detalhes chocantes de um dos crimes mais emblemáticos da história criminal brasileira, mantendo vivo o caso que marcou profundamente o país.