Glenn Hughes, aos 74 anos, anunciou oficialmente sua aposentadoria dos palcos. A decisão do britânico encerra uma das carreiras mais relevantes do hard rock mundial e foi motivada por questões de saúde: exames recentes apontaram a necessidade de uma nova cirurgia de coração aberto.
Em comunicado divulgado em suas redes sociais, Hughes explicou a situação com clareza. “No último ano, enfrentei alguns problemas de saúde. Os resultados de diversos exames de ressonância magnética, tomografias e um ecocardiograma alertaram minha equipe médica de que preciso de outra cirurgia de coração aberto. Realmente não tenho outra opção ou escolha, pois minha saúde é a prioridade número um,” afirmou o artista ao Rolling Stone Brasil.
Uma trajetória inesquecível
Hughes já havia se mantido em ritmo intenso de apresentações apesar dos problemas de saúde. Sua última apresentação ao vivo aconteceu em 30 de maio, no Arcada Theatre, em St. Charles, Illinois (EUA), ao lado da banda The Dead Daisies. No ano anterior, o cantor passou por uma turnê de despedida pela América do Sul, incluindo o Brasil, onde enfrentou um episódio de desidratação severa durante um show em Belo Horizonte.
Conhecido mundialmente pelo alcance vocal que lhe rendeu o apelido de “The Voice of Rock”, Hughes construiu uma carreira repleta de momentos históricos no universo do hard rock. Nascido em Staffordshire, Inglaterra, ele começou a carreira no início dos anos 1970 à frente do Trapeze, uma banda que mesclava hard rock, funk e soul. Em 1973, juntou-se ao Deep Purple, formando a célebre fase Mark III ao lado do vocalista David Coverdale.
Nesse período no Deep Purple, Hughes registrou álbuns essenciais como Burn (1974) e Stormbringer (1974), além de Come Taste the Band (1975), com o guitarrista Tommy Bolin. Esses trabalhos trouxeram uma nova dinâmica ao grupo, com groove mais pronunciado e vocais divididos que redefiniram completamente a sonoridade da banda.
Os anos de luta e recuperação
Após o fim do Deep Purple em 1976, os anos 1980 foram marcados por participações em projetos variados, incluindo uma breve passagem pelo Black Sabbath, onde gravou o álbum Seventh Star (1986). Nesse período, Hughes enfrentava desafios pessoais sérios: seu vício em drogas e álcool comprometia tanto sua saúde quanto sua estabilidade profissional.
O ponto de virada veio na metade da década de 1990, quando Hughes alcançou a sobriedade. Dali em diante, retomou uma rotina consistente de lançamentos solo e participações memoráveis em grupos como Black Country Communion, ao lado de Joe Bonamassa e Jason Bonham, e The Dead Daisies.
Seu mais recente álbum de estúdio, Chosen, foi lançado em setembro de 2025, marcando seu retorno a projetos solo após um hiato de nove anos desde Resonate (2016). Agora, Hughes se afasta da vida de turnês e apresentações ao vivo para focar integralmente em sua recuperação.
Em seu comunicado final, Hughes expressou gratidão: “Sou grato por ter sido escolhido para uma vida repleta do dom da música… Obrigado por caminharem ao meu lado.” Com essa decisão, encerra-se um capítulo extraordinário da história do rock.