Viagem à Índia: Um Reencontro Espiritual com Preta Gil
Um ano após a morte de sua mãe, a cantora Preta Gil, Francisco Gil abriu o coração sobre a saudade e a forma como encontrou um “reencontro” com ela durante uma viagem à Índia. O músico, em entrevista ao gshow, conforme publicado pelo Hugo Gloss, revelou que a jornada, inicialmente planejada para ser feita com Preta, se transformou em uma experiência de luto e inspiração para seu novo trabalho.
A viagem à Índia foi combinada com Preta Gil durante o período em que ela enfrentava o tratamento contra o câncer. A ideia era conhecer o país juntos, após a recuperação da cantora. “No final do ano passado, em novembro, fiz uma viagem à Índia, que a gente tinha combinado de fazer quando ela superasse isso tudo. A gente tinha falado bastante sobre fazer essa viagem, num período em que já havia essa iminência da morte”, contou Francisco.
Mesmo com a iminência da perda, a esperança era um pilar na forma como Preta enfrentava a doença. Francisco destacou a fé inabalável da mãe: “Tínhamos a esperança muito ligada à fé da minha mãe. Essa luta interminável pela vida, ela não deixaria de ir até onde pudesse para ter qualquer tipo de esperança, sabe?”.
Lidando com a Ausência e a Força da Conexão
Francisco admitiu a dificuldade de lidar com a perda, descrevendo a saudade como algo que “atravessa como uma espada no peito”. Ele ressaltou a forte ligação que tinha com a mãe, que ia além do laço familiar, sendo também uma relação de amizade e cumplicidade: “A gente era muito amigo, cúmplices, uma ligação forte e fico buscando essa ligação até hoje”.
A viagem, realizada com amigos, acabou se tornando um caminho para processar a ausência. “Realizei essa viagem e pude ter vários reencontros com a minha mãe. Talvez tenha sido a forma em que essa saudade mais foi lidada”, afirmou o músico.
“Reconstruir”: Música e Memória na Índia
Foi durante essa jornada que Francisco Gil registrou as imagens para o clipe de “Reconstruir”, uma das músicas de seu segundo disco solo e dedicada à mãe. A canção tem um significado especial, pois está entre as últimas que Preta Gil ouviu antes de falecer.
O clipe, gravado em película, percorreu cidades como Jaipur, Pushkar, Rishikesh, Varanasi, Vrindavan, Govardhan e Nova Deli. A experiência na Índia ganhou um sentido espiritual profundo para o artista. Em um post de lançamento, Gil mencionou ter sentido uma forte presença de Deus durante a viagem e, em meio a essa experiência, começou a sentir a mãe presente. “E em algum lugar dentro dessa presença, comecei a sentir minha mãe ali comigo”, escreveu.
Em uma mensagem direta à mãe, Francisco expressou a decisão de realizar a viagem, mesmo sem saber se o “caos” havia passado. “Não sei se o caos já passou, mas eu fiz a nossa viagem. Te encontrei por lá das formas mais sensíveis, engraçadas e bonitas”, declarou. Ele também revelou ter levado as músicas que a mãe já conhecia: “Levei essas músicas pro mundo comigo, antes de deixar elas irem pro mundo sozinhas”.
Este novo trabalho marca mais um capítulo na relação artística entre mãe e filho. Francisco já havia colaborado com Preta no disco “Raiz”, seu primeiro álbum solo, e agora transforma as últimas canções que ela escutou em um projeto permeado pela memória e pelo luto.
Além do lançamento de “Reconstruir”, Francisco Gil se prepara para se apresentar no Palco Sunset do Rock in Rio em 12 de setembro, ao lado dos Gilsons, Daniela Mercury e Olodum.
Fonte: Hugo Gloss