Acordo inédito coloca Brasil no comando
O Faith No More encerrou anos de incerteza ao assinar um acordo global de longo prazo com a 30e, produtora brasileira de entretenimento ao vivo. A parceria marca um ponto de inflexão na indústria musical: pela primeira vez, uma empresa latino-americana assume papel estratégico e operacional no planejamento de turnês mundiais de um dos maiores ícones do rock contemporâneo.
Segundo informações divulgadas pela Rolling Stone Brasil, o acordo confere à 30e responsabilidade total sobre a concepção e execução das circulações da banda pelos cinco continentes, além do desenvolvimento de marcas e experiências direcionadas aos fãs. A WME, agência que representa o Faith No More globalmente, teve papel fundamental na negociação.
A banda já sinalizou que o retorno aos palcos ocorrerá em 2027, oferecendo esperança a seguidores que aguardavam há mais de uma década por novo material ao vivo.
Subvertendo o modelo tradicional
A 30e deixou claro que o acordo quebra um padrão histórico. “Isso subverte o fluxo tradicional do mercado da música — historicamente centralizado no eixo Estados Unidos-Europa — ao colocar uma potência latino-americana na liderança do planejamento global”, informou a empresa em comunicado.
Pelo modelo estabelecido, a produtora brasileira exporta sua propriedade intelectual em mercado, dados, marketing e infraestrutura, enquanto o Faith No More preserva autonomia artística e controle sobre seu legado. Essa não é a primeira empreitada nesse formato: a 30e já havia anunciado acordo semelhante com o System of a Down no início de 2026.
O que dizem os envolvidos
O Faith No More não economizou palavras ao explicar a escolha: “A 30e é uma empresa que quer desafiar o status quo e, como artistas, entendemos o valor disso. A abordagem deles não soa como a engrenagem de sempre; parece vir de outro lugar, com outro tipo de energia, e estamos dispostos a apoiar esse movimento.”
Pepeu Correa, CEO da 30e, complementou a visão: “O Faith No More sempre foi sinônimo de ruptura. Eles moldaram gerações inteiras justamente por se recusarem a jogar sob as regras óbvias do mercado, e é esse mesmo espírito audacioso que move a 30e. Este acordo busca construir, de forma conjunta, uma plataforma de experiências globais que respeite o DNA transgressor da banda.”
Tim Moss, empresário da banda, ressaltou a importância estratégica: “A banda nunca seguiu um caminho convencional, e é exatamente por isso que essa parceria com a 30e faz sentido. Eles trazem uma nova perspectiva, profundidade estratégica real e uma ambição global alinhada à visão da banda. O mais importante é que eles entendem como construir algo relevante em torno do Faith No More sem comprometer aquilo que torna a banda única.”
Uma volta cheia de obstáculos
O retorno não é simples. O Faith No More se afastou dos palcos em 2016, mas a trajetória pós-encerramento foi marcada por confusão. Em 2019, a banda anunciou turnê para 2020, adiada pela pandemia. As datas remarcadas foram canceladas em setembro de 2021, poucos dias antes do primeiro show.
Mike Patton, vocalista, revelou à Rolling Stone EUA que havia sido diagnosticado com agorafobia. “Eu simplesmente surtei logo antes do nosso primeiro ensaio. Eu só disse: ‘não consigo fazer isso'”, confessou na época.
A situação se complicou ainda mais quando Roddy Bottum, tecladista, afirmou em outubro de 2025 ao Alternative Nation que o Faith No More não faria mais shows: “Não sou só eu. Acho que nenhum de nós tem vontade a esse ponto.” Já Billy Gould, baixista, contradizia essa posição publicamente: “Se eu mandasse, provavelmente estaríamos tocando no Chile na semana que vem”, brincou em entrevista à rádio chilena Futuro.
Ainda em 2026, Patton havia sugerido, de forma implícita, o encerramento da banda ao descrever os shows de 2016 como um senso de conclusão.
Um acordo que muda o tabuleiro
Esse acordo com a 30e parece ter desbloqueado o impasse. A presença de uma produtora brasileira com visão inovadora pode ter sido exatamente o catalisador que a banda buscava para retomar atividades sem reproduzir os mesmos modelos que geraram fricção no passado.
O retorno em 2027 representa mais do que o ressurgimento de uma banda icônica: marca o momento em que a indústria musical reconhece que inovação e liderança podem vir de fora do circuito tradicional. E, por essa vez, vêm do Brasil.
Fonte: Rolling Stone Brasil