Erling Haaland eliminou o Brasil da Copa do Mundo de 2026 com dois gols no último domingo, 5 de julho. O atacante norueguês se consolidou como o pesadelo da torcida brasileira naquela noite, mas antes de virar vilão do pentacampeão, ele tinha outras aspirações artísticas bem menos convencionais para um atleta de elite.
Aos 16 anos, o futuro craque do futebol formou o grupo de rap Flow Kingz com dois amigos de acampamento e gravou a música “Kygo Jo”. O videoclipe, publicado no YouTube, permanecia como uma curiosidade do passado até brasileiros redescobrirem a produção após a derrota na Copa. O que se seguiu foi puro caos viral: as visualizações dispararam e ultrapassaram 19 milhões em poucas horas.
A origem despretensiosa de um hit involuntário
Tudo começou em 2016, durante um acampamento para jovens futebolistas na Noruega. Com tempo livre entre os treinos, Haaland e os colegas Erik Botheim e Erik Tobias tiveram uma ideia simples: “Estávamos um pouco entediados e decidimos fazer uma música de rap”, revelou o atacante em uma entrevista de 2022, com o mesmo tom bem-humorado que marca o projeto até hoje.
“Kygo Jo” é uma referência ao famoso DJ norueguês Kygo, e a faixa segue à risca os clichês do rap de ostentação da época. A letra fala sobre dinheiro, comprar uma churrasqueira a gás e fazer compras no mercado — um tipo de conteúdo que poderia ser qualquer produção comum de jovens rappers amadores, não fosse o resultado final absolutamente hilariante.
Gravado de forma totalmente despretensiosa no próprio acampamento, o clipe funciona como um catálogo de situações inusitadas. O trio aparece pulando em uma cama elástica, ensaiando coreografias desajeitadas em uma quadra de vôlei e fazendo bagunça em um parquinho infantil. Haaland chama atenção pelo visual questionável: moletom estampado com “100” e um boné virado para trás — o tipo de escolha que só faz sentido em um acampamento de futebol em 2016.
O humor involuntário que levou a música ao topo
Cantada em norueguês, a letra mistura uma ostentação exagerada com cenas cotidianas que, dez anos depois, funcionam perfeitamente como combustível para viralizar. É o tipo de conteúdo que só fica melhor com o tempo — especialmente quando o garoto que está pulando em cama elástica e cantando sobre churrasqueiras se torna o vilão de uma das maiores eliminações do futebol brasileiro em Copas do Mundo.
O clipe nunca saiu do ar e seguiu acumulando visualizações ao longo dos anos, à medida que o atacante crescia no futebol. A comunidade de fãs de Haaland sempre soube da existência do vídeo, mas ele permanecia como uma trivia curiosa de celebridades do esporte. Agora, porém, ganhou proporções de fenômeno global após a redescoberta nas redes sociais brasileiras.
O refrão que predisse tudo?
A reação nas redes sociais brasileiras foi imediata e sem piedade. O próprio Haaland sempre tratou o episódio com leveza, e Botheim e Tobias continuam sendo amigos próximos até hoje. Mas há um detalhe que deixou muitos brasileiros com um nó na garganta: no refrão, Haaland cantava em norueguês que era “aquele cara que vocês veem na TV” e que ficava “bonito até quando estava comendo”.
Dez anos depois, marcando dois gols contra o Brasil em uma Copa do Mundo, a letra ganha uma pertinência involuntária que nenhum software de IA conseguiria prever. Para os brasileiros, é impossível não enxergar uma profecia involuntária ali naquele acampamento em 2016. O próprio Haaland, ao comentar sobre o clipe viralizando, deve estar rindo do absurdo da situação — afinal, foi uma pena mesmo que a carreira como rapper não tenha vingado.
A história perfeita do atleta que escolheu o caminho certo: em vez de tentar fama como artista de rap, Haaland optou pelo futebol e se tornou, sem querer, uma lenda involuntária da internet.