Gabriella Saraivah (22) foi uma criança prodígio da televisão brasileira. Marcou gerações em Avenida Brasil (2012), donde interpretou Miluce, e depois conquistou fãs ao viver Tati em Chiquititas (SBT, 2013-2015). Participou ainda de Além do Tempo, A Cara do Pai, Éramos Seis e Tudo Por Um Pop Star 2 (2024). Mas aos 15 anos, decidiu deixar tudo isso para trás e se mudar com a mãe e o irmão para os Estados Unidos.
O salto para o desconhecido
A mudança para a Califórnia não foi romantizada. Segundo o CARAS Brasil, Gabriella e a família se instalaram em Aliso Viejo, no Condado de Orange, com expectativas de construir uma carreira internacional. A realidade, porém, foi bem mais áspera que qualquer novela.
Sem visto de trabalho nos primeiros meses, a atriz enfrentou uma situação financeira delicada. “No primeiro ano, sem o visto de trabalho, nós só gastamos dinheiro. Depois, a gente começou a se ajudar como podia porque tudo aqui é muito caro. Foi difícil, porque eu e minha mãe estávamos em um momento de fragilidade, mas essa é a realidade da maioria dos imigrantes”, contou em entrevista à Marie Claire.
Gabriella também foi direta ao criticar a ilusão que costuma rodear a vida no exterior. “Muitos que vivem aqui só expõe o glamour da vida no exterior e o público fica acostumado a assistir uma vida irreal”, disparou. A mensagem era clara: nada de filtros quando se trata de sobrevivência fora do Brasil.
Babá, entregadora e estudante
Para se manter nos EUA, Gabriella precisou virar empreendedora da própria subsistência. Ela trabalhou como babá e, em períodos, realizava entregas de comida. A mãe e o irmão igualmente abraçaram empregos para manter as contas em dia. Não era o caminho para Hollywood que a indústria costuma vender.
Mas enquanto trabalhava, Gabriella não largou os estudos. Cursou high school com foco em artes e depois passou dois anos numa community college estudando Psicologia — uma escolha estratégica consciente.
University of California: o próximo passo
Em 2025, veio a notícia que transformaria de novo sua trajetória: aprovação na University of California, Irvine (UCI), uma das dez melhores universidades dos Estados Unidos. “Me mudei para os EUA e estudei em uma high school de arts, depois disso fiz dois anos de community college estudando psicologia e apliquei para transferir para a UCI”, celebrou Gabriella nas redes sociais.
O destaque, contudo, não foi apenas acadêmico. A atriz reforçou que a faculdade não enterraria seus sonhos de atuação. “Vou continuar sendo atriz e fazendo cursos de atuação e agora também sou universitária. É muito bom sonhar e melhor ainda realizar”, afirmou.
A escolha pela Psicologia não foi aleatória. Gabriella enxerga a formação como um amortecedor contra a instabilidade da profissão artística — e também como uma ferramenta para aperfeiçoar o próprio ofício. “Sou atriz, amo ser atriz e quero continuar sendo atriz até passar lá para cima, mas acho importante estudar algo novo. E a psicologia estuda o comportamento humano, o que acontece dentro da nossa mente e ajuda muito também no meu trabalho de atriz”, explicou.
A rotina de hoje
Aos 22 anos, Gabriella hoje divide sua semana entre aulas na UCI, buscas por papéis em produções americanas e, quando necessário, trabalhos pontuais. Não é a glamourosa trajetória que os fãs de Avenida Brasil poderiam imaginar, mas é a dela — construída com os próprios pés, longe dos holofotes das novelas que a fizeram famosa.
A história de Gabriella Saraivah é a de uma geração que cresceu em câmeras, mas aprendeu cedo que reinvenção é tão importante quanto qualquer papel em um elenco. E que, às vezes, a maior produção é a vida real.