Conforme o Megadeth se aproxima do encerramento de suas atividades, Dave Mustaine tem aproveitado as entrevistas para refletir sobre a trajetória da banda que fundou. Dessa vez, o vocalista e guitarrista abriu o jogo sobre quais períodos ele mais valoriza na história do grupo, revelando hierarquias que despertam curiosidade entre os fãs.
A favorita que não quer nomear
Em conversa com Full Metal Jackie (via Loudwire), Mustaine recebeu a pergunta direta sobre suas fases favoritas do Megadeth. No entanto, o frontman adotou uma estratégia curiosa: decidiu excluir o disco mais recente da banda de 2026 e sua formação atual da discussão. A razão é reveladora — ele considera essa exatamente a sua melhor era.
“Eu tenho que pular esse disco, porque esse disco e essa formação são meus favoritos, então vamos falar sobre outras formações, álbuns e coisas porque realmente é a minha favorita e eu não quero dizer isso e as pessoas pensarem: ‘oh, ele só está dizendo isso’. Então vou falar de outras coisas do catálogo,” explicou Mustaine.
A estratégia revela uma preocupação legítima: evitar a percepção de que o músico está apenas puxando sardinha para a formação vigente, composta por Teemu Mäntysaari (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria).
A ascensão comercial de ‘Countdown to Extinction’
Deixando de lado sua era favorita, Dave elegeu “Countdown to Extinction” (1992) como sua segunda melhor fase. Essa escolha tem lógica: foi o período de maior sucesso comercial do Megadeth, um álbum que catapultou a banda para novo patamar na indústria fonográfica.
Sobre os sentimentos que aquela época despertava, Mustaine foi nostálgico: “‘Countdown’ foi assim. Em ‘Countdown’ parecia que tudo estava se encaixando, foi um disco empolgante de fazer. Foi um disco empolgante de tocar e nós meio que paramos de tocar esse disco ao vivo quando começamos a ouvir todos os nossos outros discos.”
O frontman também abordou a dificuldade de manter a setlist equilibrada. Com dezessete álbuns e mais de 220 músicas no catálogo, escolher quais faixas executar em shows se tornou um quebra-cabeça logístico. Mesmo assim, sua avaliação foi direta: “Acho que é meio difícil de escolher. Mas eu diria que ‘Countdown’ foi o melhor.”
O romantismo de ‘Peace Sells’
Mustaine ainda mencionou outro momento marcante: o aclamado “Peace Sells… but Who’s Buying?” (1986), que marcou o segundo álbum da banda e consolidou sua identidade no thrash metal. Àquela época, a formação era composta pelo próprio Mustaine, David Ellefson (baixo), Chris Poland (guitarra) e Gar Samuelson (bateria).
O que torna esse período especial para o frontman é a sensação de descoberta que permeava tudo: “Houveram outros discos que foram divertidos porque tudo era novo para nós. A campanha de ‘Peace Sells’ foi realmente ótima. Nós tínhamos acabado de assinar com a Capital Records e não sabíamos nada do que estava acontecendo, então era tudo novo, fresco e empolgante, até não ser mais.”
A relevância da escolha
A hierarquia estabelecida por Mustaine é interessante porque revela algo sobre a maturidade artística versus o sucesso comercial. Enquanto “Countdown to Extinction” foi objetivamente a era de maior penetração no mercado mainstream, a formação atual — considerada por Dave como sua favorita — representa décadas de refinamento musical e uma nova força criativa.
Essa reflexão surge em um momento crucial: com o Megadeth encerrando suas atividades, Mustaine parece estar numa jornada introspectiva, repensando sua própria carreira e o legado deixado pelo grupo que criou nos anos 1980 e consolidou como uma das bandas mais importantes do thrash metal global.
Fonte: Igor Miranda