Na contramão da ideia de que envelhecer é desacelerar, Claudia Raia (59) vive um dos momentos mais criativos da carreira. Prestes a completar 60 anos, a atriz está em turnê pelo Brasil com o musical Tarsila, a Brasileira, no qual protagoniza e produz a montagem sobre a pintora Tarsila do Amaral. Além disso, está no ar na Netflix com a série Fúria e estreia no comando do reality Sua Mãe Te Conhece?, também no streaming.
Na agenda, já estão programadas a gravação de um longa produzido pelo primogênito, Enzo Celulari (29), e o musical O Diabo Veste Prada. “Talvez eu esteja vivendo o momento mais frutífero da minha vida”, avalia a artista, com a certeza de que a idade está longe de ser um ponto final. “Estou no meu segundo ato. Depois ainda tem o gran finale. Tem coisa à beça ainda. Vou até os 120 anos, já combinei com Deus”, diverte-se ela.
Um novo jeito de envelhecer
Durante entrevista à revista CARAS, a estrela se orgulha ao dizer que se considera uma NOLT (New Older Living Trend), referência a uma nova forma de envelhecer. “É um novo jeito de ver a mulher dos 60 anos. A indústria também está mudando, tanto no audiovisual quanto no teatro”, afirma ela.
Claudia destaca que no teatro não fica esperando que lhe ofereçam papéis. “Porque é difícil ter uma protagonista com essa idade, ainda mais em musical. Então, vou atrás dos meus papéis e produzo isso”, comenta. Essa postura ativa resultou em Tarsila, a Brasileira, montagem que ganhou vida após pedido de Tarsilinha, sobrinha-neta da pintora.
“Era uma mulher transgressora, corajosa, à frente do tempo dela. Fico feliz de contar essa história justamente neste momento em que a mulher está encontrando um novo lugar. Está começando a ser respeitada”, reflete Claudia sobre a personagem que interpreta. Após sucesso no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, o musical volta à cidade em setembro, com apresentações no Vivo Rio, e depois segue para Recife, Porto Alegre e Curitiba até o fim do ano.
Aprendizado sobre a perfeição
No auge da vida, a atriz se sente em constante aperfeiçoamento — mas agora com uma perspectiva diferente. “Fui criada na perfeição. Sou bailarina clássica, tudo tem que ser perfeito, não pode ter defeito. Descobri que essa perfeição não existe, é inalcançável”, analisa.
Essa revelação mudou sua forma de lidar consigo mesma. “É um caminho de frustrações, e a gente acaba sendo pouco gentil consigo mesma”, reconhece Claudia, marcando uma virada importante em como enfrenta suas próprias expectativas.
Presença e prioridades repensadas
Em tempos de burnout, a artista se preocupa com a saúde mental e mudou a maneira de encarar a rotina. Mesmo com diversas produções em andamento, ela agora prioriza tempo de qualidade com o filho caçula, Luca (3), fruto do seu relacionamento com Jarbas Homem de Mello (57), seu parceiro de vida e de palco.
“Estou trabalhando muito, mas estou fazendo coisas que nunca fiz, como tirar uma hora, uma hora e meia para estar com o Luca. O Luca começou a me rejeitar, virar a cara para mim”, conta ela, que é mãe também de Enzo (29) e Sophia (23). “Ele me olhava e estava escrito na cara dele: ‘Jura que você me teve aos 56 anos e você não tem tempo pra mim?'”
Claudia reconheceu que precisava estar mais presente. “São meus filhos que me recarregam. Não quero ser multi, quero estar presente em cada coisa que faço. Esse foi um grande aprendizado, porque sempre fui de fazer 20 coisas ao mesmo tempo. Para quê? Não estava inteira em nenhum dos lugares, essa é a verdade”, reflete.
O papel de Jarbas nessa transformação
Seu marido teve influência direta nessa mudança e foi quem a ajudou a desacelerar. “Ele é mais calmo do que eu. E me ensinou a não fazer nada. Porque os homens têm a prateleira do nada. A gente, não. A mulher está sempre fazendo alguma coisa, criando um projeto, pensando em ligar para a escola do filho”, explica Claudia sobre a contribuição de Jarbas nesse processo de autodescoberta.
Aos 59 anos, Claudia Raia parece ter finalmente encontrado seu tamanho certo — nem a perfeccionista exigente de antes, nem a multitarefa esgotada, mas uma mulher no seu segundo ato, criativa, presente e completamente segura de que a vida ainda tem muito a oferecer.
Fonte: CARAS Brasil