Camila Mendes não escondeu a dor. Em participação no podcast On Purpose with Jay Shetty, a atriz revelou que enfrentou um agravamento significativo de um transtorno alimentar e ataques de pânico durante as gravações de Riverdale, série que interpretou Veronica Lodge entre 2017 e 2023.
A pressão estética por trás das câmeras
Segundo informações do Hugo Gloss, Camila explicou que o problema já existia desde o ensino médio, mas se intensificou na primeira temporada da produção. O gatilho? O figurino de sua personagem. “Eu usava roupas que eram muito diferentes do que escolheria no meu dia a dia. Eram vestidos justos, minissaias, salto alto, mostrando a barriga”, desabafou.
O conflito era brutalmente simples: quando não se sentia bem com seu corpo, precisava vestir justamente o que a deixava mais insegura. Esse ciclo alimentou um padrão de perfeccionismo que transbordou para sua saúde mental. “Se eu me sentia inchada ou não estava bem comigo mesma naquele dia, precisava vestir algo que me fazia sentir ainda pior e extremamente insegura”, relatou.
Os ataques de pânico e a falta de controle
Os momentos críticos chegavam sem aviso. “Às vezes eu tinha ataques de pânico por me sentir tão nojenta e precisar estar na frente das câmeras, sem conseguir aceitar a forma como eu estava me vendo”, confessou Camila. Durante a entrevista, ela também revelou o mecanismo por trás dessas crises: a repressão emocional.
“Eu só tenho um ataque de pânico quando sinto, por algum motivo, que não tenho permissão para sentir a emoção que estou vivendo. Se eu quero chorar e sei que não posso, é isso que desencadeia o ataque”, explicou. Naquele contexto de produção acelerada, o choro era um luxo que ela não podia se permitir. As pausas para respirar não existiam; havia sempre uma equipe esperando, maquiagem para consertar, cronograma para manter.
O peso invisível da produção
A atriz foi clara sobre o que teria feito diferença: pequenos intervalos para processar emoções. “Se alguém dissesse: ‘Você tem uma hora’, eu responderia: ‘Ótimo, vou chorar um pouco, colocar tudo para fora e daqui a uma hora estarei pronta’. Mas você não tem esse tempo”, refletiu.
O problema se aprofundava quando ela tinha consciência do impacto de seus momentos difíceis. “Às vezes, tudo o que você precisa é liberar essa energia. Mas as coisas só pioram quando você tem o peso de saber que você está atrasando a equipe e você é o motivo pelo qual estamos atrasados, já que você chorou e precisou de mais 30min pra consertar a maquiagem”.
Das cicatrizes à gratidão
Apesar da intensidade do relato, Camila fez questão de equilibrar a narrativa. Não estava desconstruindo Riverdale, mas sim nomeando a realidade daquele período. “Nem todo dia era assim. Eu amei minha experiência em Riverdale, não me entendam mal. Olho para aquele período com muito carinho”, garantiu.
O que doía mesmo era ser jovem, estar sob os holofotes de uma série global e não ter controle sobre sua própria vida. “O difícil era ser jovem e não ter controle sobre a própria agenda e sobre a própria vida”, concluiu. É um depoimento que ecoa para além de Hollywood: sobre saúde mental, sobre o custo invisível de parecer bem quando você está quebrando por dentro, sobre a importância de pausas que parecem simples mas que mudam tudo.