O ator Bruno Gagliasso (44) enfrenta um dos momentos mais delicados de sua vida com a perda de seu pai, Paulo César Pereira Marques, aos 79 anos. O velório aconteceu no Rio de Janeiro em uma cerimônia restrita a familiares e amigos íntimos. Mas além da dor pessoal, a situação traz à tona um debate fundamental: como falar sobre morte e luto com as crianças.
O desafio de traduzir a dor para o universo infantil
Bruno e sua esposa, a apresentadora Giovanna Ewbank (40), enfrentam agora o desafio de explicar a ausência do avô para seus três filhos: Titi (13), Bless (11) e Zyan (6). Cada um deles está em uma fase diferente do desenvolvimento emocional e cognitivo, o que exige abordagens distintas.
De acordo com reportagem da CARAS Brasil, especialistas apontam que a melhor estratégia consiste em manter um diálogo transparente e acolhedor, respeitando a maturidade cognitiva de cada menor. Enquanto os mais velhos já conseguem compreender a irreversibilidade da perda, as crianças menores processam o evento através de questionamentos literais ou sentem principalmente a alteração brusca no clima da casa e a saudade da presença física paterna.
Transparência acima de metáforas confusas
Uma das recomendações centrais é evitar metáforas enganosas sobre o falecimento. Expressões como “vovô dormiu” ou “vovô viajou e não volta” podem gerar confusão e falsas esperanças nas crianças. O ideal é explicar a ausência física de forma direta e honesta, mas adequada à idade, garantindo um ambiente seguro para as emoções emergirem naturalmente.
Essa abordagem dialoga perfeitamente com a criação afetuosa que Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank defendem publicamente. O casal frequentemente ressalta a importância da comunicação clara e do respeito às emoções dos filhos, princípios que agora ganham ainda mais relevância em um momento de crise familiar.
Orientações práticas para o acolhimento
Os especialistas consultados pela reportagem listam práticas concretas para auxiliar famílias nessa jornada:
- Falar a verdade com palavras simples e honestas, evitando criar falsas expectativas sobre o retorno da pessoa falecida;
- Validar o choro e as frustrações, mostrando claramente que os cuidadores também choram e sentem a perda — isso dá permissão emocional às crianças;
- Preservar as memórias positivas de forma diária, relembrando histórias felizes e divertidas sobre o familiar que partiu;
- Manter a rotina doméstica inalterada sempre que possível, oferecendo um porto seguro e estabilidade emocional no dia a dia.
A rede de apoio como alicerce emocional
A cerimônia de despedida contou com um esquema rigoroso de privacidade para proteger os parentes no momento frágil que seguiu o período de internação enfrentado pelo pai do ator. Colegas de televisão e seguidores enviaram mensagens de solidariedade pelas redes sociais — um reflexo da importância de uma rede de suporte sólida em momentos de crise.
Segundo a reportagem, a estruturação de uma base de suporte com avós, tios e amigos garante que as famílias respirem, processem suas próprias perdas e cicatrizem as feridas emocionais enquanto amparam as crianças adequadamente. Esse amparo recebido por Bruno ressalta algo que Giovanna Ewbank frequentemente defende em seus canais na internet e no videocast Quem Pode, Pod: a necessidade de união em momentos de crise familiar.
Criação afetuosa como transformadora da dor
A metodologia de uma educação respeitosa — pilar constante na trajetória de adoção e criação dos filhos de Bruno e Giovanna — afasta o modelo punitivo tradicional e extingue a antiga cultura do silenciamento diante das tragédias cotidianas. Essa abordagem permite que as lágrimas e a dor transitem e sejam processadas de forma natural pelo lar, em vez de serem reprimidas ou escondidas.
Ao quebrar o silêncio sobre sua perda, Bruno Gagliasso oferece, ainda que indiretamente, uma lição valiosa a outros pais: não é preciso proteger as crianças do sofrimento fingindo que tudo está bem. Pelo contrário, integrar a dor de forma honesta e amorosa na rotina familiar é uma forma de ensiná-las que as emoções são naturais, que a vida inclui perdas, e que é possível processar essas perdas com suporte e amor.
Fonte: CARAS Brasil