Bruna Marquezine reflete sobre infância sob os holofotes
Bruna Marquezine, aos 31 anos, vive um momento de renovação pessoal e profissional. Em conversa franca no podcast É Noia Minha?, apresentado por Camila Fremder, a atriz relembrou o início precoce na TV e analisou como a fama desde a infância moldou sua relação com o trabalho e com ela mesma.
‘Eu comecei a atuar com cinco anos, fazendo comerciais. Com sete, já estava fazendo uma novela [Mulheres Apaixonadas, na qual viveu a pequena Salete]. Não parei depois. Minha relação com meu trabalho é identitária. Se está tudo bem no meu trabalho, está tudo bem comigo. Se não estou trabalhando, não existo’, contou Bruna, destacando como, durante anos, a profissão ocupou um espaço central em sua identidade.
Equilíbrio e amadurecimento: separando carreira e vida pessoal
Ao longo da entrevista, Bruna revelou que só recentemente conseguiu desenvolver um relacionamento mais equilibrado com a própria carreira artística. ‘Pela primeira vez na vida, agora o trabalho ocupa [só] o lugar do trabalho. Minha vida e quem eu sou sem o trabalho me interessam tanto quanto’, afirmou. Essa mudança, segundo ela, trouxe uma transformação profunda na maneira de enxergar o dia a dia e o próprio valor para além dos palcos e câmeras.
A atriz destacou que esse novo olhar impactou diretamente suas expectativas profissionais: ‘Nada do que fiz até hoje me representa de fato e a artista que quero ser. Acho que é uma das primeiras fases da minha vida em que o trabalho não é mais quem eu sou. Isso é muito legal’, celebrou.
A vocação que escolheu — e foi escolhida
Bruna também abordou as consequências de ter começado tão cedo. Quando questionada se considera uma sorte ter encontrado a profissão ainda na infância, ela foi realista: ‘Porque comecei muito cedo, eu não acho que escolhi meu trabalho. Meu trabalho quase que me escolheu. Com sete anos, você não entende um ofício. Com 18, foi quando comecei a entender como uma profissão, alguma coisa que eu poderia levar adiante de fato.’
Apesar dos desafios, Bruna reconheceu os privilégios conquistados e sua paixão pela arte: ‘Aos 31 anos, eu falo de um lugar de muita estabilidade profissionalmente. Com privilégios e segurança. E eu não sei se vejo como uma sorte. Acho que tem um lado muito positivo: sou completamente apaixonada pelo que faço. Isso é sorte. Eu ter começado e gostado.’
Desafios da fama precoce e busca por saúde mental
Durante o bate-papo, a atriz também falou sobre os obstáculos enfrentados por quem começa cedo na televisão. Ela observou que muitos colegas abandonaram a carreira por não se identificarem com a exposição e as pressões: ‘Várias pessoas começaram na mesma época e no meio do caminho falaram: Não era nada disso. Às vezes se arrependem, porque se sentem expostas.’
Para manter o equilíbrio conquistado, Bruna disse que o esforço é constante para evitar cobranças e frustrações: ‘A sorte é que eu amo, me sinto pertencente no set. Sinto frio na barriga, com tesão, desejo e entrega. Eu amo criar. Trabalharia com arte, de um jeito ou de outro. Mas tem todo um outro lado que trabalho diariamente para conseguir me desconectar. Vivi muitos anos [pensando]: Se não estou trabalhando, não existo. E uma frustração constante, de que nada do que você fez está bom o suficiente. Precisa de mais e mais.’
Um novo capítulo na carreira de Bruna Marquezine
O relato de Bruna Marquezine revela não apenas os desafios de crescer sob os holofotes, mas também o amadurecimento de quem busca agora um novo equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ao separar sua identidade da carreira, a atriz abre espaço para novas descobertas e para uma relação mais saudável com o ofício que a tornou conhecida do público brasileiro.
Fonte: CARAS Brasil