Marco Nanini, um dos nomes mais reverenciados da teledramaturgia brasileira, mantém longe dos holofotes uma história de quase quatro décadas ao lado do produtor Fernando Libonati. Aos 78 anos, o eterno Lineu Silva de A Grande Família prefere resguardar sua vida pessoal, mas recentemente compartilhou detalhes curiosos sobre seu relacionamento durante participação no programa Conversa com Bial, da Globo.
O Encontro e a Trajetória Compartilhada
Tudo começou de forma despretensiosa em um boteco no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro. Na época, Libonati cursava odontologia, mas a convivência com o artista mudou os rumos de sua carreira profissional. Hoje, ele é responsável por toda a engrenagem e produção dos espetáculos estrelados pelo companheiro.
Durante entrevista ao programa de Pedro Bial, Nanini descreveu o relacionamento como um casamento feliz que passou por todas as etapas. “É sim um casamento feliz porque passou por todas as etapas, né? E agora nós somos grandes amigos, mas nós temos uma união estável escrita”, declarou o ator. Ele também enfatizou a importância da presença de Fernando em seu cotidiano: “Ele é muito carinhoso comigo, muito atencioso. Isso para mim é muito importante. Isso me dá um fogo, uma vitalidade, uma necessidade de trabalhar”.
Casas Separadas, Vidas Interligadas
Um detalhe particularmente curioso revelado durante a conversa com Bial diz respeito à rotina espacial do casal. Nanini e Libonati moram em casas separadas, porém vizinhas, e para facilitar a convivência e o trânsito dos animais de estimação foi feita uma abertura ligando os terrenos dos imóveis.
O ator explicou que esse arranjo sempre funcionou bem na relação. “Ele tem as companheiras dele, eu tenho as minhas. Nunca isso foi problema, nem quando a gente começou, nem quando começou a chama do início. A gente tinha essa cláusula”, afirmou Marco Nanini.
Uma Conversa Franca na Adolescência
Embora tenha abordado abertamente sua sexualidade com o público apenas em 2011, Marco Nanini tratou do assunto em casa ainda durante a adolescência, conversando abertamente com seus pais. O ator recordou que tinha cerca de 16 ou 17 anos quando resolveu ter aquela conversa importante.
“Eu contei para eles quando tive certeza. Fiz uma reunião com meu pai e minha mãe e falei: ‘Olha, a situação é a seguinte’. Eles ficaram chocados, mas no fundo não tive problemas”, revelou o veterano. Ele complementou explicando suas motivações: “Decidi que tinha que falar com eles porque não dava para eu ser gay e meus pais não saberem. Sentia que tinha uma responsabilidade, um respeito, não podia enganá-los”.
Nanini também destacou que jamais sentiu pressão para ocultar sua orientação sexual durante a trajetória profissional. “Eu nunca escondi. Se as pessoas percebiam ou achavam algo, tanto faz”, afirmou com segurança.
O Posicionamento Público de 2011
A decisão de falar publicamente sobre o tema ocorreu em 2011 e foi impulsionada por um episódio de violência motivado por homofobia. Um grupo de jovens atacou gays na Avenida Paulista, em São Paulo, com lâmpadas fluorescentes, fato que chocou profundamente o ator.
“Naquele ano aconteceu um caso que me chocou profundamente, que foi um grupo de jovens que atacaram gays na Avenida Paulista, em São Paulo, com umas lâmpadas fluorescentes. E por nenhum motivo nenhum! Isso é o mais triste. Por ignorância, por preconceito ou até por insegurança. Fiquei tão chocado com aquilo que falei: ‘Vou ter que me posicionar, tenho que dizer que eu não gostei disso e por que que eu não gostei disso'”, relatou Nanini.
Uma Carreira Marcante no Audiovisual Brasileiro
Dono de um talento inigualável, Marco Nanini construiu uma trajetória brilhante que atravessa décadas no teatro, cinema e televisão. Imortalizou personagens em grandes produções como Pecado Capital (1975), Gabriela (1975), A Grande Família (2001-2014), Êta Mundo Bom! (2016) e Deus Salve o Rei (2018), entre muitas outras.
Sua história pessoal com Fernando Libonati permanece um exemplo discreto de longevidade e funcionamento prático em relacionamentos, onde o respeito às individualidades e a criatividade na convivência se mostram fundamentais para décadas juntos.