O velório de Renato Machado reuniu nesta sexta-feira (17/7) uma legião de profissionais que acompanharam diferentes momentos da trajetória de um dos jornalistas mais respeitados da televisão brasileira. A cerimônia aconteceu no Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio de Janeiro, e contou com presenças marcantes de figuras que conviveram com o comunicador ao longo de sua extensa carreira.
Uma vida dedicada ao jornalismo
Renato Machado faleceu na quinta-feira (16/7), aos 83 anos, após sofrer uma insuficiência cardíaca enquanto estava internado na Clínica São Vicente, na Gávea. Sua morte marca o fim de uma era para o telejornalismo nacional: mais de quatro décadas dedicadas à profissão, atravessando diferentes fases da mídia brasileira e conquistando respeito tanto de colegas quanto do público.
A magnitude de sua contribuição ficou evidente na quantidade e na qualidade das pessoas que compareceram ao velório. Familiares, amigos e antigos colegas de trabalho se despediram de alguém que não deixou apenas uma carreira brilhante, mas também um legado de elegância profissional e humanidade.
Depoimentos que revelam o homem por trás do âncora
Durante a cerimônia, nomes como Leilane Neubarth, Mariana Gross, Ana Luiza Guimarães, Edney Silvestre e Vanessa Gerbelli compartilharam lembranças que enfatizavam aspectos que iam muito além das telas. Os presentes recordaram características que definiram Renato em sua essência: o humor aguçado, a inteligência apurada, os conselhos sempre oportunos e, talvez o mais notável, a elegância com que conduzia tanto as responsabilidades profissionais quanto as relações interpessoais.
Em depoimentos registrados pelo cinegrafista Rogério Fidalgo, da AgNews, emergiu a figura de um homem que compreendeu que o jornalismo não era apenas sobre transmitir informações, mas sobre fazê-lo com dignidade e respeito. Essa maneira de estar no mundo, tanto na câmera quanto fora dela, deixou marcas profundas em quem trabalhou ao seu lado.
Um jornalista que atravessou gerações
A presença diversificada de profissionais no velório ilustra como Renato Machado conseguiu se manter relevante e respeitado ao longo de décadas em uma indústria conhecida pela volatilidade e pela constante renovação. Não se tratava apenas de um âncora que lia teleprompter com competência; era um profissional que entendeu a importância de estar em conexão genuína com colegas e audiência.
Sua carreira atravessou diferentes tecnologias, formatos de telejornalismo e ciclos políticos do Brasil, sempre mantendo um padrão de qualidade e integridade. Isso é raro em uma profissão que frequentemente sacrifica princípios pela audiência ou pela conveniência do momento.
O legado além das telas
O que fica claro nas despedidas é que o legado de Renato Machado ultrapassa seus trabalhos na televisão. Trata-se de uma lição viva sobre como exercer uma profissão com excelência, mantendo ao mesmo tempo a humanidade e a generosidade com os que estão ao redor. Em um tempo em que a televisão frequentemente prioriza o espetáculo sobre a substância, lembrar de profissionais como Renato é recordar que existe outra forma de fazer jornalismo.
A cerimônia no Memorial do Carmo foi, portanto, mais que um velório. Foi um encontro de gerações de profissionais que aprenderam, direta ou indiretamente, que a elegância e a integridade nunca saem de moda no jornalismo ou na vida. Renato Machado deixa para trás não apenas uma filmografia impressionante, mas também o exemplo de alguém que compreendeu que a profissão é, acima de tudo, sobre respeito e humanidade.
Fonte: Portal Leo Dias