Estreia marcada por trauma
Aos 53 anos, Adriane Galisteu abriu o jogo sobre um dos momentos mais difíceis de sua carreira: sua estreia como atriz em novelas. Antes de se consolidar como apresentadora, Galisteu viveu uma experiência traumática nos bastidores de ‘Xica da Silva’ (1996), da extinta TV Manchete. O episódio, segundo ela relatou em entrevistas, foi determinante para seu afastamento das novelas durante anos.
Assédio moral e ‘castigo’ nos bastidores
Galisteu interpretou Clara, irmã da protagonista vivida por Taís Araújo, em uma novela que foi sucesso absoluto de audiência e acabou sendo esticada além do previsto. No entanto, o clima nos bastidores estava longe de ser tranquilo. Segundo Galisteu, o diretor Walter Avancini (1935-2001) praticava assédio moral com o elenco e, em determinado momento, exigiu que ela gravasse uma cena de nudez. A atriz questionou a necessidade da cena e, ao recusar, passou a ser alvo de represálias.
“Peguei o diretor Walter Avancini em uma fase difícil, em que ele gritava com todo mundo. Sofri pra caramba! Era um sucesso estrondoso e eles ficavam alongando a trama”, contou Galisteu em entrevista à revista Pop-Se. Ela descreveu situações em que sua personagem era constantemente submetida a situações extremas: “Eu morri três vezes na novela! E ressuscitei as três. Voltei bruxa, fantasma, voltei sem orelha! Minha personagem reaparecia detonada, sempre mais sofrida, ficou até muda. Olha, foi um caos. Ali eu prometi pra mim que não faria mais novelas. Não é pra mim.”
Reconhecimento e crítica ao diretor
Apesar das dificuldades, Galisteu reconhece a importância do aprendizado. Em conversa com a revista Piauí, ela afirmou: “O Avancini era genial. Muito do que sei de comprometimento e disciplina, aprendi com ele. Mas era extremamente abusivo.” O relato escancara a dualidade entre a admiração profissional e o sofrimento causado pelo ambiente tóxico.
Distanciamento da teledramaturgia
Depois do episódio em ‘Xica da Silva’, Galisteu se afastou das novelas por anos. Ela investiu em carreira na TV como apresentadora e também no teatro. “Eu substituí a Lucélia Santos em ‘Deus lhe Pague’ no teatro. Como eu tinha essa referência da novela, declinei. Bibi insistiu, pediu que eu fizesse testes, prometeu me ensaiar quatro meses e me colocar em cartaz. E foi genial, um trabalho incrível, um grande sucesso. Uma virada. Depois disso, fiz outros 12 espetáculos”, comentou.
Retorno às novelas e reinvenção
Galisteu só voltou a atuar em novelas em 2018, na Globo, com um papel fixo em ‘O Tempo Não Para’. Nesse período distante das tramas, ela construiu uma trajetória sólida como apresentadora, passando por várias emissoras e também se reinventando nas redes sociais. Em entrevista ao site PropMark, Galisteu falou sobre essa transformação: “A principal transformação foi entender que não podia ter medo de mudar. A televisão mudou, o público mudou, a forma de consumir conteúdo mudou e também precisei mudar junto. Mas, existe uma diferença entre se transformar e deixar de ser quem você é”.
Superação e legado
O relato de Adriane Galisteu evidencia os desafios enfrentados por artistas nos bastidores da televisão brasileira, especialmente em épocas em que o ambiente era mais permissivo a abusos. Sua trajetória, marcada por superação e reinvenção, serve de inspiração para quem busca longevidade e autenticidade no meio artístico.
Fonte: CARAS Brasil