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Charli XCX quebra o ciclo: ‘Eu não tenho hobbies, essa é minha vida’ após febre de Brat

diegososua
18 de jun de 2026
4 min de leitura

Charli XCX escolheu um lugar pouco convencional para refletir sobre sua carreira: o cemitério Hollywood Forever, onde jazem celebridades como Judy Garland e Dee Dee Ramone. Com seus óculos escuros característicos e um conjunto personalizado Levi’s, a estrela pop britânica de 33 anos conversou com a Rolling Stone Brasil sobre a vida pós-Brat e sua disposição em abraçar o caos criativo.

A recusa em se repetir

Charli não está aqui para fazer Brat 2. Enquanto o álbum de 2024 conquistou as paradas, dominou as listas de críticos e transformou a artista em um fenômeno cultural inegável, a britânica tem clareza absoluta sobre seu próximo movimento: fugir completamente do que construiu. “Eu sabia, enquanto estava fazendo aquele disco, que nunca mais faria aquele álbum novamente”, afirma ela. “Não é criativamente recompensador para mim fazer a mesma coisa duas vezes.”

Essa abordagem reflete sua filosofia criativa mais ampla. “Todos os meus álbuns funcionam em oposição uns aos outros”, explica Charli. “Eles se repelem, e isso é o tecido conjuntivo que os conecta.” É uma estratégia que a diferencia de artistas que tentam reproduzir fórmulas vencedoras, mas também exigiu que ela ignorasse pressões comerciais óbvias.

Rock Music e as provocações

Quatro dias antes dessa conversa, Charli lançou “Rock Music”, primeiro single de seu novo álbum Music, Fashion, Film, que chega em 24 de julho. A faixa é uma curva abrupta em relação a Brat: guitarras elétricas distorcidas, vocais fragmentados em Auto-Tune e uma mensagem directa — “Agora estamos fazendo música de rockkkkkkkkkkk”. No videoclipe, ela pula do palco e joga uma televisão pela janela, alimentando a especulação online sobre se trata-se de sátira dos clichês do rock clássico.

A reação foi dividida. Alguns fãs abraçaram a provocação; outros acreditam que Charli está em modo troll. Uma fã escreveu: “Muito engraçada essa pegadinha, Charli. Agora, onde está o verdadeiro single principal?” Courtney Love a chamou, admirada, de troll. Madonna, por sua vez, comentou discretamente uma foto com a frase: “Se a sua pista de dança parece morta/Talvez você esteja tocando a música errada” — uma resposta sarcástica à declaração de Charli de que “a pista de dança está morta”.

A vida é música, ponto final

O que mais marca nessa entrevista é a clareza de Charli sobre sua prioridade. Quando questionada sobre hobbies e interesses fora da música, ela é direta: “Eu não tenho hobbies. Essa é a minha vida.” Não é uma afirmação grandiosa ou dramática — é apenas a realidade de alguém que começou a fazer música na adolescência e nunca parou.

Charli coescreveu “I Love It” (sucesso do Icona Pop em 2012), criou o hit próprio “Boom Clap” e lançou jóias hiperpop como “Vroom Vroom” e “ILY2” antes de virar nome mainstream. Levou anos para o grande público a alcançar, mas quando Brat explodiu, foi total. O álbum conquistou indicações ao Grammy (ganhou três), inspirou esquetes no Saturday Night Live (onde foi apresentadora e atração musical), liderou turnê por arenas e gerou um álbum de remixes colaborativo com Billie Eilish e Lorde.

O verde-limão elétrico da capa de Brat invadiu a moda e a cultura de memes. A palavra “brat” deixou de significar crianças mimadas para representar adultos confiantes, sem desculpas, cujas imperfeições os tornavam mais estilosos. Até a campanha presidencial de Kamala Harris em 2024 aproveitou o fenômeno. Como disse Emily Ratajkowski, amiga de Charli: “É uma mulher que está contemplando a maternidade enquanto ainda cheira cocaína e dança em cima de mesas. É genial.”

Criatividade como imperativo

A resposta de Charli sobre hobbies revela algo importante: para ela, a música não é carreira — é existência. Não há espaço para distrações quando se está em constante busca por reinvenção e provocação criativa. Isso explica por que ela recusa repetir receitas, por que “Rock Music” é tão deliberadamente provocadora, e por que cada álbum seu funciona como uma negação do anterior.

Nesse sentido, a escolha do cemitério como cenário para essa conversa é quase literal: Charli está enterrando a era Brat e preparando o solo para o que vem a seguir. Music, Fashion, Film promete ser tão desconcertante quanto provocador — exatamente o que ela precisa para se manter viva criativamente.

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