Um juiz de Los Angeles decidiu nesta segunda-feira que a acusação apresentou provas suficientes para levar o músico D4vd (nome verdadeiro: David Anthony Burke) a julgamento pela morte de Celeste Rivas Hernandez, adolescente de 14 anos. A juíza Charlaine Olmedo determinou que “o sr. Burke seja levado a julgamento” após cinco dias de audiência preliminar, marcando uma nova sessão de apresentação formal para 31 de agosto.
Argumentos da acusação
A promotora-adjunta de Los Angeles Beth Silverman sustentou que D4vd era “um adulto muito astuto” que abusou sexualmente da adolescente, a manipulou psicologicamente através de gaslighting e foi acusado de matá-la após submetê-la a intenso sofrimento emocional, quando ela ameaçou revelar o relacionamento.
Silverman argumentou que os investigadores reuniram “uma montanha de provas” comprovando as acusações “muito além do padrão exigido” em uma audiência preliminar. Segundo ela, as mensagens trocadas entre Burke e Celeste continham conteúdo íntimo abordando contracepção, gravidez e aborto. Mesmo após encerrar o relacionamento no final de 2024, a promotora afirmou que “ele infelizmente continuou explorando a vítima”.
“Vimos algumas das consequências devastadoras disso nas mensagens da própria adolescente, que revelavam problemas de saúde mental causados pela forma como ela era usada por um adulto que dizia amá-la”, declarou Silverman durante as alegações finais.
Defesa nega premeditação
A advogada de defesa Marilyn Bednarski argumentou que Celeste foi por conta própria à casa de Burke na noite de 23 de abril de 2025 e que, nos minutos anteriores à chegada dela, o cantor estava participando de um jogo de realidade virtual multiplayer, não se preparando para cometer um crime. Bednarski sustentou que as dezenas de mensagens de texto apresentadas ao tribunal demonstravam “o oposto de uma intenção homicida”.
“Burke expressou repetidamente seu amor e carinho [por Celeste], mesmo depois do fim do relacionamento”, argumentou a defesa. Ela também questionou a causa da morte, afirmando que “não há provas de uma intenção deliberada de matar. Não podemos presumir dolo apenas pelo ato de ocultar o corpo.”
Acusações contra o cantor
Burke responde por acusações relacionadas a abuso continuado de menor, ocultação e tratamento ilegal de restos mortais. A promotoria alega que ele tentou ocultar o corpo da adolescente após sua morte. O legista responsável pelo caso testemunhou que Celeste morreu em decorrência de dois ferimentos perfurantes.
Cronologia contestada
Durante o contra-interrogatório, a advogada Blair Berk pediu confirmação de uma mensagem enviada por Celeste a Burke em 22 de abril de 2025, um dia antes da data em que a promotoria afirma que ela morreu. A mensagem fazia parte de uma conversa em que a adolescente demonstrava ciúmes da relação entre Burke e outra mulher, Aysia Collins, que havia ido ao festival Coachella com o cantor semanas antes.
A defesa também apontou que os pais de Celeste sabiam que ela passava tempo com Burke, tendo assinado um documento autorizando que ela viajasse para Londres com o cantor em setembro de 2024. Segundo o detetive Corey Farell, os pais permitiram que a adolescente morasse com uma tia em Los Angeles durante o verão de 2024, e Burke saia com Celeste para programas como ir ao cinema.
Fonte: Rolling Stone Brasil