Da engenharia às artes: uma escolha movida pela paixão
Laíze Câmara, conhecida atualmente como apresentadora do clássico Vitrine, da TV Cultura, nunca teve medo de se reinventar. Aos 14 anos, enquanto a maioria dos adolescentes ainda buscava descobrir suas vocações, Laíze já dava aulas de Matemática e Física para pagar o curso de teatro. Mesmo formada em Engenharia Civil, a paixão pela arte falou mais alto. “Eu tinha medo de muitas coisas, mas nunca tive medo do desconhecido”, contou em entrevista exclusiva à CARAS Brasil.
Essa coragem de abraçar o novo foi fundamental para que Laíze transitasse por diferentes funções no universo audiovisual: atuação, direção, roteiro, edição e, mais recentemente, apresentação. O convite para comandar o Vitrine foi recebido com entusiasmo e alívio, como ela mesma relata: “Enxerguei naquele convite a oportunidade de seguir por um novo caminho dentro da emissora, agora unindo toda a experiência à comunicação diante das câmeras. Foi uma sensação de que as peças finalmente estavam se encaixando”.
O papel da direção em sua identidade artística
Laíze não vê fronteiras rígidas entre suas funções. Segundo ela, a direção é o espaço em que consegue reunir tudo o que aprendeu ao longo da trajetória. “Enquanto estou atuando, não me ‘revelo’ justamente porque estou dando vida a outra pessoa. Minha identidade de fazer muitas coisas, pensar em soluções, conectar ideias, liderar equipes e criar narrativas é a diretora que reúne. É dirigindo que essas habilidades se encontram e me sinto mais eu, na esfera do ego e identidade”, explica.
O desafio de migrar da engenharia para as artes
Deixar a engenharia para trás não foi um processo livre de dúvidas. Laíze admite que o medo esteve presente, especialmente durante a faculdade. Só quando foi contratada pela primeira vez no audiovisual, sentiu que a arte ocupava um espaço maior e que o medo já não fazia tanto sentido. “Eu só ‘soltei a mão do medo’ quando me conheci melhor, me conheci a fundo, com distanciamento suficiente para enxergar que esse medo não fazia o menor sentido, já que eu me dedicava e fazia o outro lado, o das artes, bem”, revela.
Vitrine: um programa reflexivo em tempos de excesso de informação
O retorno do Vitrine à programação da TV Cultura, após 15 anos, coloca Laíze diante do desafio de comunicar em uma época marcada pela velocidade e excesso de estímulos. Para ela, o grande desafio é preservar a profundidade em meio à avalanche de informações. “A comunicação precisa acompanhar as transformações, mas sem abrir mão da reflexão, da responsabilidade e do pensamento crítico”, afirma.
Versatilidade e curiosidade como fio condutor
Transitar entre diferentes áreas não significa perder o fio condutor. Para Laíze, a curiosidade é o que move sua trajetória. “Sempre me interessaram histórias que me façam investigar, pesquisar e compreender melhor as pessoas e o mundo. Independentemente do formato, o que me move é contar histórias que provoquem alguma reflexão”, diz.
Olhar para trás com surpresa e orgulho
Ao olhar para a adolescente que entrou em um curso de teatro aos 14 anos, Laíze acredita que ela ficaria surpresa com tudo o que conquistou. “Nunca imaginei que aquele curso fosse abrir tantas janelas e me levar por caminhos tão diferentes. A vida foi acontecendo, atropelando alguns planos e abrindo outros completamente inesperados. Aquela menina ficaria assustada, no melhor sentido, com as possibilidades que a vida poderia oferecer. Mas uma coisa nunca me faltou: coragem”.
Saúde mental e novos sonhos
Conciliar tantos projetos exige equilíbrio. Laíze admite que ainda está aprendendo a estabelecer limites e a dizer ‘não’, entendendo que não pode dar conta de tudo. Reservar espaço para o prazer, como cantar, é uma forma de se reconectar. Quanto ao futuro, ela sonha em explorar o cinema de ficção com um longa-metragem autoral, fazer um monólogo como atriz e realizar um espetáculo musical.
A trajetória de Laíze Câmara é marcada por coragem, curiosidade e uma busca constante por contar histórias que provoquem reflexão, seja nos bastidores, no palco ou diante das câmeras.
Fonte: CARAS Brasil