Velho Chico: novela que uniu sucesso e tragédia
Velho Chico, exibida pela Globo entre março e setembro de 2016, entrou para a história da teledramaturgia brasileira não só pelo enredo de disputas familiares e paisagens do Rio São Francisco, mas também pelas perdas marcantes de três atores do elenco. As mortes de Domingos Montagner, Umberto Magnani e Adilson Maghá deixaram uma marca profunda em colegas e no público, reforçando a memória da produção.
Domingos Montagner: protagonista e símbolo de comoção nacional
O caso mais emblemático foi o de Domingos Montagner, intérprete de Santo dos Anjos, protagonista da novela. Ator com trajetória no teatro, circo e TV, Montagner conquistou o país com seu carisma e talento. Em 15 de setembro de 2016, aos 54 anos, ele morreu afogado no Rio São Francisco, em Canindé de São Francisco (SE), durante uma pausa nas gravações.
Segundo relatos, após gravar cenas e almoçar, Montagner entrou no rio para nadar acompanhado da atriz Camila Pitanga. Ela percebeu que o colega não retornou à superfície e alertou a equipe. A mobilização foi imediata: equipes de resgate encontraram o corpo do ator preso entre pedras. O laudo do Instituto Médico Legal confirmou a morte por afogamento.
A morte de Montagner provocou uma comoção nacional. Velho Chico ainda estava no ar e o personagem Santo era central na trama. A Globo precisou adaptar o roteiro após a perda repentina do protagonista. O episódio permanece entre os mais dolorosos da história recente da televisão brasileira.
Umberto Magnani: referência de experiência e dedicação
Umberto Magnani, que interpretava o padre Romão, também faleceu durante a exibição de Velho Chico. O ator era conhecido por sua sólida carreira no teatro e na TV, com passagens por títulos como Mulheres Apaixonadas, Cabocla e Alma Gêmea.
No dia em que completou 75 anos, em 25 de abril de 2016, Magnani passou mal enquanto aguardava para gravar cenas da novela. Foi socorrido e levado a um hospital no Rio de Janeiro, onde ficou internado. Dois dias depois, em 27 de abril, morreu em decorrência de um acidente vascular encefálico hemorrágico, conforme informado pelo Gshow na época.
A morte de Magnani obrigou a produção a reorganizar a história. O ator Carlos Vereza foi escalado para interpretar um novo personagem, o padre Benício, assumindo a função narrativa do religioso na trama. A despedida do ator foi sentida por colegas e admiradores de seu trabalho.
Adilson Maghá: trajetória respeitada e despedida discreta
Adilson Maghá participou de Velho Chico em uma atuação especial, como o homem cego que auxilia Martim, personagem de Lee Taylor. Sua presença compôs a história escrita por Benedito Ruy Barbosa e Bruno Luperi. Maghá teve carreira consistente nas artes cênicas e em produções televisivas.
Segundo informações do TV Foco, Maghá faleceu em decorrência de um câncer de pulmão. Detalhes biográficos sobre o ator são menos documentados em fontes de ampla circulação, e a data precisa da morte não foi amplamente divulgada. Mesmo assim, sua participação em Velho Chico é lembrada com carinho por quem acompanhou a novela.
Impacto duradouro na memória da TV brasileira
As mortes de Domingos Montagner e Umberto Magnani ocorreram enquanto Velho Chico ainda estava em exibição, exigindo adaptações urgentes e emocionando o público. Já Adilson Maghá, mesmo em participação menor, também integra o rol de perdas associadas à produção. Essas histórias reforçam como a teledramaturgia é feita de encontros marcantes e despedidas sentidas por milhões de espectadores.
Velho Chico permanece na lembrança não só por sua narrativa, mas também pelo luto que uniu elenco, equipe e telespectadores. A trajetória dos três artistas segue como parte da memória afetiva da televisão brasileira.
Fonte: TV Foco