Um refúgio para a criação artística
Paulo Miklos, nome fundamental do rock nacional e ex-integrante dos Titãs, abriu as portas de sua casa no Morumbi, em São Paulo, para mostrar como transformou o lar em um verdadeiro refúgio artístico. Em reportagem apresentada pela Casa Vogue e repercutida pela CARAS Brasil, Miklos detalha ambientes onde passado e presente dialogam através de objetos, instrumentos e móveis carregados de memória.
Decoração com história e personalidade
A residência, que Miklos dividia com a esposa Renata Galvão em 2019, foi pensada para reunir peças que traduzissem as histórias pessoais e profissionais do casal. O resultado é um espaço confortável, acolhedor e voltado à convivência e à criação. Entre móveis contemporâneos e antiguidades, há objetos herdados da família, como peças da avó de Miklos, Violeta, que por décadas administrou uma loja de abajures.
Na sala de estar, destacam-se um quadro do artista plástico José Roberto Aguilar, parceiro de Miklos e Arnaldo Antunes na Banda Performática, e um cartaz do Festival de Jazz de Montreux de 1988, testemunho da participação histórica dos Titãs no evento suíço – que resultou no álbum ao vivo “Go Back”. Os discos de vinil expostos ajudam a contar a trajetória musical do anfitrião, enquanto um violão sempre à mão reforça a ligação cotidiana com a música.
O piano de 1887: relíquia e protagonista
O grande destaque do imóvel é um piano de meia cauda datado de 1887. Segundo Miklos e Renata, a necessidade de acomodar o instrumento foi determinante até na escolha da casa. O piano estava antes em um apartamento no oitavo andar no Rio de Janeiro, e, devido à dificuldade de transporte, quase foi deixado de lado. Mas, após assistir a um vídeo da antiga proprietária tocando bolero, Miklos decidiu ficar com a peça – que precisou ser içada e passou por um processo de restauração de seis meses antes de ganhar lugar de destaque logo na entrada da casa.
Instrumentos raros e relíquias da carreira
No andar superior, Miklos mantém um espaço dedicado à criação musical e à preservação de objetos que marcaram sua trajetória. Além de guitarras, violões, bandolim, banjo e uma coleção de pedais de efeitos, há uma verdadeira preciosidade: um trompete que pertenceu ao lendário músico norte-americano Chet Baker, figura cultuada do jazz.
O ambiente também exibe discos de ouro, discos de platina e troféus conquistados ao longo dos anos, além de cartazes de momentos marcantes, como o do filme “O Invasor” (2001), dirigido por Beto Brant, que marcou a estreia de Miklos como ator.
Casa feita para a convivência e a criação
A mesa da casa, desenhada pelo próprio casal, servia como ponto de encontro para reuniões, discussões de projetos, leituras de peças e planejamento de produções musicais. O clima de refúgio se completa com um ambiente silencioso e reservado, onde Miklos compõe e desenvolve novas canções.
Com 67 anos e uma trajetória que atravessa a história do rock nacional, Paulo Miklos mostra que sua casa é extensão de sua arte: um espaço onde cada objeto tem significado, e onde passado, presente e futuro convivem em harmonia.
Fonte: CARAS Brasil