Dos trabalhos simples à carreira musical
Rick Sollo, cuja morte aos 59 anos em um acidente de helicóptero comoveu o cenário da música sertaneja, viveu uma trajetória marcada por sacrifícios antes de encontrar estabilidade artística. Geraldo Antônio de Carvalho nasceu em Monte do Carmo, no Tocantins, e iniciou seus primeiros passos na música aos 10 anos ao lado da irmã Dalva, formando a dupla Sereno Serenata.
Antes de se consagrar na música, o futuro cantor precisou trabalhar em diversos ofícios para se sustentar. Segundo a reportagem da CARAS Brasil, Rick vendeu bolo e café na empresa onde seu pai trabalhava, além de picolés e peixes em feiras livres. A rotina incluía também um período em uma funilaria, onde, conforme relatou em entrevistas anteriores, aproveitava para comer pão doce e beber leite com frequência.
A experiência na imobiliária e os primeiros shows
O trabalho que mais absorveu seu tempo, porém, foi na imobiliária. Rick andava de bicicleta pela região procurando propriedades para vender ou alugar. Quando avistava uma placa de “vende-se”, entrava em contato com o proprietário e levava a oportunidade para a empresa. Uma rotina extenuante que convencia com a participação em apresentações noturnas em bares e eventos.
A dedicação rendeu frutos: aos 16 anos, Rick conseguiu viver exclusivamente da música, consolidando o alicerce que o levaria ao sucesso nacional. Participou posteriormente de outras formações, como Luciano Leomar e Rick Ray, até consolidar-se na dupla com Renner, parceria que começou em 1986 e marcou uma geração de fãs do sertanejo.
O legado musical e a tragédia
Durante sua carreira, Rick Sollo deixou um legado expressivo com clássicos como “Ela é Demais” e “Filha”. Além disso, compôs sucessos para outros artistas, incluindo faixas como “Página de Amigos” e “Só Dá Você na Minha Vida”. Seu trabalho como compositor e intérprete consolidou seu nome entre os grandes nomes da música sertaneja brasileira.
O acidente que ceifou sua vida ocorreu em 21 de setembro de 2026, na Serra Catarinense. Um helicóptero Bell 430 biturbina caiu sem sobreviventes. Além de Rick, morreram o empresário Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares e dois pilotos. O cantor deixa sua esposa Geralda, dois filhos e quatro netos.
Os direitos autorais e a herança
Com a perda do ícone da música sertaneja, questões sobre o futuro de seu acervo musical entraram em fase de partilha. Os direitos autorais de Rick Sollo garantem remuneração contínua por reproduções em rádio, televisão e plataformas de streaming. O Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (ECAD) é responsável por recolher e repassar esses valores.
A legislação brasileira protege a família do artista após seu falecimento. A esposa e os filhos assumem a posição de herdeiros necessários, e os valores arrecadados ficam depositados em uma conta vinculada ao espólio. Dessa forma, o legado financeiro deixado por Rick continua gerando renda para seus sucessores, mantendo vivo o reconhecimento de sua contribuição à música brasileira.