Aos 35 anos, Tati Machado falou abertamente sobre um dos temas mais delicados de sua vida pessoal: o desafio de encarar uma segunda gravidez enquanto ainda vive o luto pela perda de Rael, seu primeiro filho com o marido Bruno Monteiro. Em entrevista ao podcast Mil e Uma Tretas, conforme divulgado pela CARAS Brasil, a apresentadora não escondeu a complexidade emocional que envolveu a nova gestação.
Uma gravidez não planejada
Tati contou que a gravidez atual surgiu de forma inesperada. “No meu caso, não estava esperando ou planejando. Eu tinha vontade [de voltar a engravidar], não à toa estava deixando rolar, mas meu combinado com a minha médica era para congelar embriões. Em uma dessas, engravidei”, revelou ela durante o podcast.
Essa circunstância não planejada intensificou os sentimentos conflitantes que já marcavam o período após a morte de Rael, que nasceu sem vida em maio de 2025.
A culpa e o sentimento de traição
O ponto mais revelador da entrevista foi quando Tati admitiu ter sentido culpa em relação ao seu primeiro filho. A apresentadora descreveu um sentimento complexo de traição, especialmente no início da gravidez atual.
“Foi e tem sido muito difícil, porque, no começo, usei o argumento de que eu ainda queria ele [Rael]. Achava injusto eu tentar engravidar e desejar tê-lo, e tinha uma repulsa de tê-lo. [Sentia] uma culpa, uma traição daquela nossa relação e daquele luto que eu ainda estou vivendo”, explicou.
Ela também mencionou que acredita ressignificar o luto de forma gradual, mas que esse processo é contínuo. “Porque estou grávida, vivendo o luto, que acredito que vou carregá-lo de outras formas, ressignificando cada dia mais. Até o começo da gravidez, não queria me envolver muito”, completou.
A maternidade que permanece invisível
Tati deixou claro que considera a si mesma mãe desde o primeiro teste positivo com Rael. No entanto, enfrenta a dor de que a sociedade tende a apagar ou minimizar essa perda quando o tempo de convivência foi breve.
“Tenho a plena consciência de que sou mãe. Eu sou mãe desde o primeiro [teste] positivo que eu tive. Mas parece que, quanto menos tempo a gente ficou com aquele bebê, mais isso é apagado”, lamentou a apresentadora.
Ela refletiu também sobre como o luto é vivido de formas diferentes, dependendo do contexto: “A gente tem costume de colocar mais peso nessas situações [como luto], mas só quando a gente volta para a nossa casa, para nossa vidinha, que sabe como é e o que deixou de sequela”.
Um luto que é para sempre
Quando questionada sobre o processo de superação, Tati foi realista: “Eu ainda não concluí o luto, é para sempre. Preciso loucamente desse bebê fisicamente, mas é muito duro eu colocar toda essa pressão [no bebê que está por vir]”.
A fala revela a cautela da apresentadora em não projetar expectativas excessivas no bebê que virá, reconhecendo que a criança que chega não pode — e não deve — ser responsável por preencher o vazio deixado por Rael.
O depoimento de Tati Machado toca em aspectos frequentemente negligenciados nas conversas públicas: o luto perinatal, a culpa materna e a invisibilidade social de perdas que não deixam marcas visíveis, mas deixam cicatrizes profundas na vida de quem as vivencia.