Dias antes de morrer aos 59 anos, Rick, da dupla com Renner, havia compartilhado publicamente seus planos e desejos para a chegada dos 60 anos. O sertanejo, que completaria essa idade em dezembro, falou sobre o compromisso com a saúde e a determinação em manter sua independência ao envelhecer — uma reflexão que ganhou peso trágico após o acidente que vitimou o artista.
A rotina de saúde do cantor
Pouco antes da tragédia, Rick publicou nas redes sociais um vídeo detalhando seus hábitos diários de cuidado com o corpo. Quando estava em seu rancho em Santa Catarina, o cantor reservava cerca de três horas do dia exclusivamente para exercícios. “Vou explicar para vocês a minha rotina. Quando estou aqui, tiro três horas por dia para cuidar da saúde e do corpo. Geralmente faço uma hora e meia de caminhada e corrida. Volto para o rancho, faço mais uma hora e quarenta de musculação. E, claro, sempre tenho que ter cuidado com a alimentação”, revelou o artista.
Além da rotina de exercícios, Rick contava que realizava acompanhamento médico contínuo e afirmava que o tratamento havia transformado sua vida. Caminhada, corrida, musculação e calistenia estavam entre as atividades que estruturavam seu dia a dia.
A autonomia como prioridade
O que movimentava Rick era menos a vaidade e mais a autonomia. Ao explicar por que havia intensificado os cuidados com a saúde, o sertanejo revelou que pensava especificamente na chegada dos 60 anos e em preservar sua capacidade de agir com independência. “Eu vou fazer 60 anos em dezembro e uma coisa que eu quero para mim é não depender de ninguém. Quero envelhecer com saúde, fazer minhas coisas. Claro que sei que uma hora tudo vai ficar limitado, mas, dentro das limitações, quero fazer as coisas do meu jeito”, afirmou.
A morte do cantor foi confirmada na terça-feira, 22 de setembro. Rick estava entre os ocupantes de um helicóptero que caiu na Serra catarinense. Os destroços da aeronave foram encontrados após buscas na região e não houve sobreviventes.
Uma trajetória marcante
Rick, nascido como Geraldo Antônio de Carvalho em Porto Nacional, no Tocantins, construiu uma das carreiras mais longevas do sertanejo brasileiro. Sua parceria com Ivair dos Reis Gonçalves, o Renner, mudou os rumos da música sertaneja no país. Juntos, formaram uma dupla que dominou o mercado especialmente nos anos 90, com uma discografia robusta apoiada em letras românticas que dialogavam diretamente com o público popular.
A estratégia da época incluía investimento maciço em estúdio, apresentações contínuas em programas dominicais de televisão de alcance nacional e distribuição estratégica dos álbuns. Músicas como “Ela É Demais”, “Muleca” e “Nos Bares da Cidade” viraram hinos em rodeios, feiras agropecuárias e festas de peão espalhadas pelo interior do país, dominando as paradas musicais por semanas ininterruptas.
A consagração definitiva chegou com as gravações de projetos acústicos e DVDs ao vivo, materiais que continuam rendendo milhões de reproduções nas plataformas digitais. O repertório da dupla mesclava perfeitamente guitarras modernas com a essência acústica da viola caipira, conquistando milhões de fãs ao longo de três décadas de atividade profissional.