Um ano após a morte de JP Mantovani, Lissa Martins abriu o coração em entrevista ao gshow para falar sobre como tem enfrentado o luto pela perda do marido. A cantora e atriz, ex-integrante do Rouge, descreveu um processo tão complexo quanto honesto: há momentos em que consegue encarar a realidade, e outros em que a mente traz alívio ao fingir que ele apenas saiu de casa.
“Ainda tenho a sensação de que não aconteceu. Sinto que ele foi trabalhar, viajar, me pego muitas vezes em momentos assim, até que vem a realidade de que ele não vai mais voltar”, desabafou. Lissa descreveu esse movimento como um “looping”, em que alguns dias trazem a esperança de que JP retornará, enquanto em outros a dor da perda se impõe com força total.
O tempo que o luto leva
JP morreu em 21 de setembro de 2025, após a motocicleta que pilotava bater contra um caminhão de limpeza urbana, em São Paulo. Segundo a reportagem do Hugo Gloss, Lissa dormia quando foi acordada pela campainha: um policial pediu os documentos da moto para confirmar a identidade do proprietário. Naquele instante, sua vida mudou para sempre.
Para a artista, porém, o impacto real daquele momento demorou tempo para ser assimilado. “Só depois de seis meses que começou a cair a ficha. É complicado falar dessas datas pontualmente, porque ainda estou assimilando. Vai melhorar”, afirmou. A fala evidencia que o choque inicial pode mascarar a verdadeira dimensão da perda.
Não existe prazo para o luto
Lissa também revelou que se cobrou bastante no início, acreditando que existiria um prazo para superar o luto. Com o tempo, percebeu o quão equivocada era essa expectativa. “O luto não é uma receita de bolo, é um dia de cada vez. Cheguei à conclusão de que a melhor coisa é partilhar, porque o luto não é linear. Eu me cobrei um pouco no início, não vou mentir. Achei que tinha um tempo, mas não, é muito individual”, refletiu.
A comparação com um ciclo ajuda a explicar a natureza dessa jornada. Um dia parece que a dor está finalmente cedendo, que a superação está próxima. No dia seguinte, aqueles mesmos sentimentos voltam como se nada tivesse avançado. “Um dia você está bem, no outro dia você fala: ‘Nossa, acho que a dor está dando certo, estou superando’. E aí vai achar que está voltando para trás”, explicou.
Para Lissa, compreender essa ausência de linearidade também é uma forma de se mostrar gentil consigo mesma. “É para a gente ter um pouco mais de calma, saber ser gentil com a gente nessa hora, saber se reconhecer, respeitar e não se cobrar tanto, porque o mundo lá fora está cobrando o tempo todo”, completou.
A importância de compartilhar e da rede de apoio
A cantora vê na troca de experiências uma maneira de acolher outras pessoas que enfrentam situações semelhantes. “Talvez, vendo o depoimento meu, você fique: ‘Tudo bem, é assim, faz parte do processo'”, afirmou, reconhecendo o poder de se sentir menos sozinho ao conhecer histórias que ecoam a própria vivência.
A rede de apoio ganhou centralidade nesse período. “É essencial ter ajuda. É um momento delicado e é muito difícil passar por isso sozinha”, declarou. Lissa também destacou que acolher alguém em luto é desafiador para quem está ao redor, o que reforça a importância de mútuo cuidado.
Maternidade em tempos de luto
Além de processar sua própria perda, Lissa precisou acolher a filha Antonella, de 9 anos, fruto de 11 anos de relacionamento com JP. A artista escolheu não esconder suas emoções da menina, trabalhando na terapia a possibilidade de se mostrar vulnerável, para que Antonella também se sinta livre para expressar o que sente.
Lissa e JP haviam oficializado a união civil em junho de 2025, apenas três meses antes do acidente. O pedido de casamento tinha acontecido em dezembro de 2024, durante uma viagem a Paris. Os dois planejavam uma cerimônia religiosa para novembro de 2025, que não chegou a acontecer.
Encontrando força na memória dele
Apesar da saudade que permeia cada dia, Lissa busca motivação na lembrança da personalidade otimista de JP. “Ele era muito para cima. Penso muito nele, que gostaria de me ver seguindo. Isso tudo me motiva. Às vezes, eu me pego borocoxô e acredito que, se ele pudesse dizer alguma coisa, seria: ‘Erga a cabeça, segue, vai'”, contou.
Essa força imaginada do marido se converte em propósito: continuar vivendo não apenas por si, mas também por honrá-lo e proporcionar à filha aquilo que ele gostaria de fazer. “Quero viver, honrá-lo e proporcionar à nossa filha o que ele gostaria de fazer também”, completou, revelando como o luto pode coexistir com a vontade de seguir em frente.
Fonte: Hugo Gloss