De Lagos para o mundo
Há dez anos, Afrobeats — o guarda-chuva que engloba o afropop nigeriano moderno, o afrofusion e variantes como amapiano e afrobeats sul-africanos — era praticamente desconhecido fora da diáspora africana. Hoje é um dos gêneros mais influentes do pop global, com artistas como Burna Boy, Wizkid e Tems headlineando festivais nos Estados Unidos, Europa e, crescentemente, no Brasil.
O Brasil é um caso particularmente interessante nessa expansão global do Afrobeats. Poucos países fora do continente africano têm conexões culturais, históricas e musicais tão profundas com a música de origem africana — e essa conexão está criando uma receptividade especial ao gênero que vai muito além da simples moda.
Por que o Brasil abraça o Afrobeats
A conexão não é superficial. O Brasil tem a maior população de ascendência africana fora do continente africano — mais de 56% da população brasileira se declara preta ou parda. A música popular brasileira, do samba ao axé ao funk, tem raízes profundas na música africana. Quando ouvintes brasileiros escutam pela primeira vez os ritmos percussivos do Afrobeats, as progressões de acordes características e as estruturas de chamada e resposta, reconhecem algo familiar mesmo que nunca tenham ouvido aquele som antes.
Além disso, o Afrobeats tem uma característica que ressoa profundamente no contexto brasileiro: é música para dançar. Os beats são irresistíveis, os grooves são contagiantes, e a festa é o objetivo central. Em um país com uma das culturas dançantes mais ricas do mundo, isso é imediatamente compreensível.
Os artistas que abriram o caminho no Brasil
Wizkid foi o primeiro a conseguir penetração de massa no Brasil, especialmente depois da colaboração com Drake em “One Dance” (2016), que ficou meses nas paradas nacionais. Burna Boy construiu uma base de fãs crescente através de suas tours pela América Latina, e seu Coachella de 2023 foi amplamente acompanhado no Brasil. Tems, que apareceu na trilha sonora de Black Panther: Wakanda Forever, ganhou reconhecimento massivo no país.
Artistas brasileiros que incorporam elementos do Afrobeats
- Iza — tem incorporado elementos de Afrobeats em sua produção desde 2022
- Liniker — fusões com sons africanos contemporâneos em álbuns recentes
- BaianaSystem — sempre trabalhou na interseção entre ritmos brasileiros e africanos
- Mc Cabelinho — incorpora elementos de amapiano no funk carioca
Festivais e shows: o mercado crescendo
Em 2024, o Brasil recebeu shows de Burna Boy (São Paulo e Rio), Tems (Lollapalooza Brasil) e Wizkid (Summer Soul Festival). O Lollapalooza Brasil 2024 teve pela primeira vez um palco dedicado a artistas de Afrobeats e sons africanos contemporâneos — um reflexo direto da demanda do público nacional.
Fontes e Referências
- • Billboard Brasil: O crescimento do Afrobeats no mercado brasileiro — billboardbrasil.com.br
- • Folha de S.Paulo: Afrobeats conquista palcos e ouvidos do Brasil — folha.uol.com.br
- • IFPI Global Music Report 2024: African music streaming growth — ifpi.org
- • Rolling Stone Brasil: Burna Boy no Brasil — rollingstone.com.br