Ed Sheeran subiu ao palco do Lincoln Financial Field, na Filadélfia, neste sábado (19 de setembro), para seu primeiro show após a saída de Macklemore da Loop Tour. O momento marcou não apenas o retorno às apresentações, mas também uma pausa incomum no setlist para que o artista se pronunciasse sobre a repercussão dos últimos dias — algo que, segundo ele, não é sua prática habitual durante os shows.
“Este não costuma ser um momento que faço durante o show, mas, antes de tocar algumas músicas esta noite, espero que tudo bem se eu disser algumas palavras sobre esta última semana”, pediu Ed ao estádio lotado. O cantor reconheceu estar diante de decisões difíceis e se colocou como alguém disposto a aceitar críticas, mas que desta vez enfrentava questões muito maiores.
A emoção e o reconhecimento de erros
Com a voz embargada, Ed Sheeran admitiu estar cometendo erros ao lidar com a situação. “Estou cometendo erros e sinto muito, muito mesmo. Eu não quero decepcionar os fãs e nunca quis ser um músico ativista, mas isso me colocou no meio de um debate importante e intenso sobre liberdade de expressão e sobre a questão política mais complexa do planeta”, declarou.
O artista reforçou seu compromisso em manter os shows como espaço seguro e inclusivo para todos, mas expressou profunda preocupação com a ideia de que locais de eventos devam fazer aprovação prévia de conteúdos e apresentações. “Isso acontece em tantos lugares onde me apresento ao redor do mundo, mas isso nunca deveria acontecer no mundo livre”, pontuou, deixando clara sua posição sobre censura.
Posicionamento humanitário sobre Israel e Palestina
Pela primeira vez em sua carreira, Ed Sheeran se posicionou publicamente sobre o conflito entre Israel e Palestina, algo que evitou fazer ao longo dos anos por preferir que sua música representasse união e não divisão política.
“Esta é uma questão humanitária e não posso mais esconder o que sinto sobre isso”, disse ele. O cantor reconheceu a tragédia dos ataques de 7 de outubro contra Israel e o sofrimento histórico do povo judeu, mas também se manifestou sobre a situação em Gaza. “O que está acontecendo em Gaza é catastrófico, injustificável e desproporcional. Meu coração está partido diante da dimensão da devastação e da perda de vidas civis, de vidas de crianças”.
Sheeran ainda mencionou a injustiça sistêmica na Cisjordânia como algo que não pode ser ignorado, completando seu pronunciamento com um compromisso pessoal: “Já estou conversando com pessoas de diferentes lados para descobrir como posso contribuir de uma forma que ajude as vítimas destes tempos terríveis. Estou ouvindo e aprendendo, porque não sei o suficiente”.
O contexto da saída de Macklemore
O pronunciamento de Ed Sheeran ocorreu uma semana após Macklemore ser removido das apresentações restantes da turnê. O rapper havia se manifestado a favor dos palestinos durante os shows no MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos dias 4 e 5 de setembro. Durante sua participação, Macklemore gritou “Free Palestine” para o público e apresentou “Hind’s Hall”, uma música de protesto lançada em 2024 em apoio aos palestinos.
A decisão de manter Ed Sheeran sozinho no palco nesta apresentação na Filadélfia reforçou seu compromisso em honrar os compromissos com os fãs, mas também deixou explícito o dilema entre liberdade de expressão artística e responsabilidade como promotor de eventos. O cantor finalizou seu discurso com a voz embargada, enfatizando que os shows continuam sendo um lugar onde todos são bem-vindos: “Todos aqui podem estar ao lado de pessoas com quem não concordam em tudo, mas todos podem concordar em cantar essas músicas. E essas músicas falam sobre amor, esperança e união”.