Alex Van Halen não cansa de revisitar a herança deixada por Eddie, seu irmão e guitarrista lendário do Van Halen. Desde o lançamento do livro “Brothers” em outubro de 2024, o baterista tem concedido entrevistas em que fala sobre o legado do saudoso músico, inclusive mencionando a intenção de finalizar composições inacabadas que Eddie deixou. Nesse processo, uma lição musical fundamental veio à tona e merece ser discutida.
A mentalidade criativa de Eddie em suas próprias palavras
Durante uma participação no podcast Metal Sticks, comandado por Nicko McBrain (baterista aposentado do Iron Maiden) e David Frangioni, Alex revelou que Eddie cultivava uma certa modéstia em relação às próprias composições. O guitarrista entendia que não havia criado nada “do zero”, mas sim buscado inspiração em coisas já existentes e as reorganizado.
De acordo com transcrição publicada pela Ultimate Guitar, Alex explicou: “O centro da banda era o Ed e a música que ele tocava. Ele, na verdade, era muito humilde em relação às ideias e à origem das canções. Se você ouvir a entrevista para o programa do Smithsonian, ele diz: ‘eu não criei nada de verdade, apenas peguei coisas que já existiam antes e as reorganizei’. E essa é, no fim das contas, a melhor lição e o melhor insight que se pode ter sobre qualquer coisa que um músico faz: você pega o que veio antes e faz algo diferente com isso.”
Eddie exemplificou essa filosofia ao abordar sua própria técnica mais famosa. Em entrevista de 2015, o guitarrista falou sobre como o Led Zeppelin o inspirou a desenvolver o tapping: “Ultimamente todo mundo está dizendo: ‘oh, Eddie Van Halen não inventou o taping, o hammer-on e o pull-off, e isso e aquilo. E eu nunca afirmei que tinha inventado! Sei como e quando descobri como fazer. Nunca esquecerei que Alex e eu íamos a todos os shows no The Forum, em Los Angeles. Um dia o Led Zeppelin estava tocando e Jimmy Page estava tirando sons da guitarra, mas com a mão direita no ar! Basicamente, eu apenas passei a usar as duas mãos.”
O ensinamento continua na próxima geração
Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, também absorveu lições paternas importantes e as colocou em prática. Em conversa com a Guitar World, o líder do Mammoth destacou que seu pai adotava um mantra simples mas poderoso: “Meu pai nunca tentou me empurrar em nenhuma direção. Ele simplesmente me deixou seguir, de forma orgânica, aquilo que eu quisesse. Esse era o principal mantra dele: ‘apenas toque’. Por isso eu tenho isso tatuado em mim, na caligrafia dele, retirada de uma carta de Natal que ele me deu. É realmente simples. Você precisa se divertir e seguir aquilo que te faz feliz. É disso que a música trata.”
Os projetos atuais de Alex
O baterista segue trabalhando em antigas gravações suas e de Eddie. Conforme anunciado em 2024, Alex conta com a colaboração de Steve Lukather, guitarrista do Toto, na empreitada. Durante o podcast Metal Sticks, ele reafirmou o andamento do projeto: “Estou me preparando para fazer esse disco com Lukather e mais algumas pessoas. Vai ser animador.”
Desde a morte de Eddie em 2020, Alex vive de forma mais reclusa, tendo dedicado tempo à escrita. Ele preparou dois livros: “Brothers”, que aborda sua relação com Eddie desde a infância, e “Van Halen”, focado na história da banda. Ambos se encerram em 1984, quando David Lee Roth deixou o grupo. A segunda obra ainda aguarda lançamento.
O legado da humildade criativa
A lição que Alex Van Halen destaca — a humildade diante do processo criativo — é particularmente relevante em um cenário onde muitos artistas buscam reivindicar originalidade absoluta. Eddie entendeu que a música é feita de camadas de influência, referência e reinterpretação. Não se trata de negar mérito, mas de reconhecer que toda inovação repousa sobre o que veio antes, e é exatamente nessa reinterpretação consciente que reside o valor da criação artística.