Brian Johnson, vocalista do AC/DC, acabou de dar uma resposta bem-humorada — e indireta — a Mick Jagger sobre os desafios de envelhecer no mundo do rock. Enquanto o frontman dos Rolling Stones reclamou recentemente que não há nada de bom em envelhecer, Johnson defendeu exatamente o oposto em entrevista à USA Today.
A Diferença de Perspectiva
Com 78 anos, Johnson afirmou estar se divertindo muito mais agora do que em qualquer outro momento de sua carreira. A diferença etária entre ele e Jagger — que tem 82 — aparentemente trouxe perspectivas distintas sobre o envelhecimento. Segundo o Ultimate Classic Rock, Johnson explicou que subir ao palco continua sendo desafiador, mas de forma positiva.
“Acho que ainda é o desconhecido”, disse Johnson durante o vídeo. “Você ensaia, conhece suas partes, suas peças. Mas [a imprevisibilidade] ainda mantém você atento, sabe, para dar o melhor de si.” Essa abordagem contrasta com a fadiga que Jagger aparentemente expressa sobre a progressão natural do tempo.
O Aprendizado que Vem com a Idade
Angus Young, guitarrista do AC/DC com 71 anos, brincou que sua principal preocupação é tropeçar no palco — “coisas estúpidas assim”, como Johnson concordou. Mas foi justamente nesse ponto que o vocalista destacou o lado positivo de envelhecer na indústria.
Johnson revelou que a banda aprendeu a aproveitar muito mais sua presença no palco ao longo dos anos. “Você não pode apenas fazer as coisas imediatamente. Você tem que aprender a observar a pessoa. Estamos fazendo coisas agora que não pensávamos em fazer antes. Interagindo. É simplesmente mais divertido, porque você não se importa mais”, explicou.
O contraste é nítido: quando jovem, Johnson levava tudo muito a sério. “Quando você é jovem, você leva a si mesmo muito a sério, sabe, [somos] uma grande banda de rock and roll. Eu nunca costumava sorrir ou qualquer coisa porque era o que você achava que deveria fazer!”, admitiu.
Liberdade Criativa no Fim da Carreira
Essa maturidade trouxe uma liberdade que Johnson não tinha décadas atrás. A capacidade de relaxar, de interagir com a plateia e de reimaginar performances que o AC/DC já faz há 50 anos é, paradoxalmente, um presente do tempo. O vocalista sugere que essa nova mentalidade torna os shows mais autênticos e divertidos — tanto para a banda quanto para o público.
O Legado em Questão
O AC/DC está na reta final da turnê “Power Up Tour”, que começou em maio de 2024. O show de encerramento será em 29 de setembro na Filadélfia. Questionados sobre o futuro da banda, nem Johnson nem Young comentaram especificamente, mas Young foi claro sobre como gostaria que o legado fosse lembrado: “Uma grande banda de rock. Eles foram ótimos no que faziam. E fizeram isso consistentemente”, completou Johnson.
O vocalista também expressou gratidão à base de fãs multineracional: “Gostaria de agradecê-los a todos, um por um”. E com um toque de humor sobre sua própria longevidade no palco: “Você nunca pensou naquele dia quando terminei aqui que eu teria 79 anos!”
A postura de Johnson sugere uma reconciliação com o envelhecimento que Jagger ainda não encontrou — ou, pelo menos, não admitiu publicamente. Para o AC/DC, ficar velho não é questão de decadência, mas de ganhar ferramentas para fazer melhor o que sempre fez.
Fonte: Ultimate Classic Rock