Maurício Manieri (56) descobriu ainda na infância a paixão que definiria sua vida profissional: um piano Bechstein presenteado pela mãe. O instrumento, que chegou às suas mãos entre os cinco e seis anos, não foi apenas um brinquedo passageiro. Virou a porta de entrada para uma trajetória musical que atravessaria décadas e continuaria marcando presença em seu estúdio até hoje.
“Gosto de música desde pequeno. Quando eu tinha cinco anos, minha mãe me presenteou com um piano. Me apaixonei logo de cara. A partir daí, ele tornou-se um companheiro pra todas as horas”, lembrou o artista em entrevista ao site Resenhando, publicada em 2006.
De menino prodígio a músico dos grandes palcos
Aquele presente de infância em breve revelaria o talento de Manieri. De acordo com registros do Museu Brasileiro de Rádio e Televisão, ele era considerado um menino prodígio—aprendeu a ler partituras praticamente ao mesmo tempo em que aprendeu o alfabeto. Ainda criança, começou a estudar piano clássico e logo chamou a atenção dos professores. Adolescente, conquistou concursos de piano clássico e passou a explorar outras vertentes musicais.
A educação musical recebida em casa foi decisiva. Manieri cresceu ouvindo referências como Chico Buarque, João Bosco, Elis Regina e Pixinguinha—nomes que seus pais, ambos ligados à música, transmitiram como parte da formação dele. Essa herança cultural ajudou a moldar o artista que viria a ser.
A escolha que mudou tudo
Mas o caminho não foi sempre linear. Após ganhar concursos de piano clássico e trabalhar como pesquisador em uma multinacional, Manieri tomou uma decisão que desagradou a mãe: abandonou a faculdade de Engenharia Química para seguir carreira na música. Segundo o material publicado, a mãe ficou furiosa com a escolha.
Ainda assim, Manieri perseguiu seu caminho. Ao lado do irmão Marcelo, formou a banda Delta T e ampliou sua atuação para a música pop. Em 1998, lançou o álbum A Noite Inteira, que trouxe sucessos como “Minha Menina” e “Bem Querer”. Três décadas depois, essas canções continuam presentes em seus shows e turnês—prova de que a aposta no instrumento que ganhou aos cinco anos valeu a pena.
Piano presente em cada etapa da carreira
O instrumento acompanhou todas as transformações de Manieri. Em 2023, durante uma entrevista ao Domingo Espetacular, da Record, o cantor tocou piano enquanto relembraria momentos importantes de sua trajetória e apresentaria registros de um encontro com Marília Mendonça.
Hoje, com mais de 25 anos de carreira consolidada, a relação de Maurício com o piano segue tão viva quanto na infância. Em 2026, a turnê Classics Tour Inesquecível continua colocando o instrumento como um dos elementos centrais do espetáculo, reunindo sucessos do cantor com clássicos da música pop romântica que marcaram gerações diferentes. Aquele presente de cinco anos atrás provou ser mais que um instrumento: foi o gatilho para uma vida inteira dedicada à música e aos palcos brasileiros.