Jonathan Azevedo escolheu um caminho diferente do que muitos atores costumam trilhar após alcançar fama nacional. Após interpretar Sabiá em A Força do Querer (2017), novela que o projetou para todo Brasil, o ator decidiu investir em uma residência no Vidigal, comunidade onde nasceu e cresceu. A casa virou assunto quando ele abriu as portas para o episódio de Lar: Vida Interior, produção do GNT que acompanha a relação de celebridades com seus lares.
Um refúgio com vista para o mar
A residência de Jonathan no Vidigal chama atenção pelos detalhes que transformam um simples imóvel em um santuário pessoal. A varanda e o banheiro ganharam destaque na apresentação: uma ducha externa com vista para o Oceano Atlântico e uma banheira com visão para a área verde da comunidade. Segundo registros publicados pelo CARAS Brasil, esses ambientes representam muito mais do que luxo para o ator.
Jonathan descreveu a experiência de tomar banho na ducha externa com uma sinceridade que revela a importância do espaço em sua vida: “Essa é minha praia, minha piscina, minha vida: minha ducha! Quando eu estou tomando a ducha aqui e olho para lá, parece que eu estou dentro desse mar e que faço parte disso tudo. Eu acho que é isso que faz eu acordar tão feliz todo dia”.
O banheiro como refúgio durante a pandemia
Durante o isolamento causado pela pandemia de COVID-19, a casa ganhou uma função ainda mais relevante na rotina de Jonathan. O ator passava boa parte do tempo entre o banheiro e a varanda, transformando esses espaços em locais de leitura e introspecção. “Passei a pandemia aqui, olhando para esse mar e tendo ele como meu maior psicólogo. Pude desbravar essas sensações de estar em casa. A parte da casa que eu mais fiquei foi o banheiro. Eu ia para a varanda também, mas aqui que eu ficava lendo meus livros, meu banheiro!”, relatou na ocasião.
A conexão com a natureza através da visão para as árvores ajudou Jonathan a lidar com as incertezas do período, mostrando como o ambiente onde vivemos influencia diretamente nosso bem-estar psicológico e emocional.
Orgulho de ser favelado e raízes que não se cortam
O que torna a história de Jonathan ainda mais significativa é sua recusa em abandonar o Vidigal mesmo após conquistar sucesso financeiro. Enquanto muitos artistas escolhem se mudar para bairros nobres do Rio, ele permaneceu na comunidade onde construiu sua identidade. “Eu grito que sou favelado com orgulho e que eu amo a minha comunidade. Aqui tem problema, Leblon tem problema, todo lugar tem problema. Mas para mim o cuidado que eu tenho aqui, não vou encontrar em muitos lugares do Brasil”, declarou.
Para Jonathan, a escolha vai além de uma questão de endereço. Representa fidelidade aos valores que o formaram e reconhecimento da rede de afeto presente na comunidade. Ele destacou a união entre os moradores como algo precioso, especialmente durante a pandemia: “Todo mundo aqui é muito unido. Com tudo isso que nós passamos na pandemia, se formos parar para pensar, a aula que a comunidade deu para sobreviver a tudo isso poderia ensinar muita gente no mundo que, se nos unirmos, a gente pode mudar muita coisa”.
Uma carreira construída sem esquecer as origens
A trajetória profissional de Jonathan reforça esse compromisso com suas raízes. Antes de se tornar nacionalmente conhecido pelo personagem Sabiá, ele já atuava desde 2007 em produções como Malhação Conectados. Mais importante que isso, Jonathan formou-se como ator no grupo Nós do Morro, localizado justamente no Vidigal, o que mostra que sua conexão com a comunidade antecede qualquer sucesso televisivo.
O personagem Sabiá, criado para aparecer em apenas três capítulos, acabou permanecendo até o final de A Força do Querer devido à repercussão junto ao público. Esse sucesso abriu portas para Jonathan, mas não o afastou de quem ele é. A casa que constrói agora no Vidigal não é apenas um refúgio de luxo — é a materialização de uma escolha de vida: a de ser um artista que cresceu, prosperou, mas nunca esqueceu de onde veio.
Nesse sentido, a ducha com vista para o mar e a banheira rodeada de verde não representam apenas conforto. São símbolos de uma vida transformada financeiramente, mas com valores e raízes intactas.